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A CLASSE MÉDIA DO DIA 15

31/03/2015

Em atentado à democracia, no dia 15 de março, principalmente na Avenida Paulista, lá estavam eles e elas. Sua ideologia: um emaranhamento de preconceitos de todos os tipos, como racismo; homofobia; aversão às lutas pelos direitos das mulheres e a pobres; ódio dos movimentos sociais organizados da classe trabalhadora; nordestinofobia etc. Tudo isso, como expressão de um medo ideológico-paranoico de que a sociedade caminhe para se tornar mais justa, mais igual, diminuindo a distância social e econômica entre as pessoas.

Era a classe média, mas não toda ela. Era parte dela (maioria?). A que sai em defesa de um novo golpe militar; de golpe civil-parlamentar, apelidado de impeachment, em desrespeito criminoso à Constituição e ao direito soberano do povo de fazer sua escolha político-eleitoral; que finge estar contra a corrupção, quando na verdade está a seu favor, porque apoia os partidos dos grupos econômicos, que a praticam noite e dia.

É a versão atual, herdeira da velha classe média que tanto agiu contra a democracia, apoiada, mobilizada  por uma grande mídia a serviço de golpes de estado, como a que atuou contra Getúlio, levando-o à morte; que apoiou o movimento golpista de 61, na tentativa de inviabilizar a posse de Jango Goulart, substituto constitucional do presidente renunciante, Jânio Quadros; que foi às ruas em apoio ao golpe de estado, então em andamento, concluído em 31 de março de 64; que durante 21 anos apoiou a ditadura e seus crimes de torturas e assassinatos de milhares de pessoas que lutavam pela conquista da democracia.

Entretanto – esclareça-se – felizmente, não foi, nem é toda a classe média que age contra a democracia, que é contra o progresso social. Parte dela (minoria? maioria?) tem agido em sentido oposto. Exemplo desta verdade foi a militância estudantil, de intelectuais, de funcionários públicos e de outros setores médios da sociedade, em todas as lutas em defesa da democracia e do avanço político do povo.

Não foram poucos os integrantes dos setores progressistas, democratas e humanistas da classe média que deram a sua própria vida na luta contra a ditadura, desde o surgimento desta até a campanha pelas Diretas Já.

Hoje, estes setores fazem parte das forças democráticas que se opõem a atentados à democracia, como o do dia 15, ao lado de todos os que tudo fazem para evitar retrocesso político em nosso país.

Os golpistas de ontem e de hoje, que apoiaram a ditadura civil-militar, como os jornais O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e, principalmente, a Rede Globo fazem de tudo para dividir as forças progressistas e democráticas. Não se deve subestimar estes velhos instrumentos das forças antidemocráticas e dos grupos econômicos, mormente estrangeiros.

Alberto Souza

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ATAQUE À CORRUPÇÃO : UMA ÓTIMA NOVIDADE

16/03/2015

Após séculos, finalmente, a corrupção começa a ser atacada no Brasil.

Corrompidos e corruptores são investigados, condenados e presos.

A corrupção começa a perder a proteção que sempre teve.

A direita, setor mais conservador da classe dominante, mãe histórica da corrupção, tenta convencer a sociedade que está contra a sua filhona querida. É o que acontece no caso do Lava jato, como se o povo fosse tão ingênuo ao ponto de acreditar que corruptos atacam a corrupção.

No afã de conseguir ganhos políticos com sua hipocrisia, os partidos dos grupos econômicos não perceberam que, diferentemente de seu jeito farsante de tratar a corrupção, existe o dos setores organizados da sociedade, preocupados em atacar as causas dela. Não notaram que surgiria, no meio das massas mais politizadas do povo, a consciência de que a causa imediata das propinas, ilegais ou legais, dadas a políticos por capitalistas, é o financiamento privado de campanha. Fato que já ganha as ruas em mobilizações populares contra este tipo de corrupção, defendendo uma reforma política que elimine este mal de uma vez por todas. Claramente, situação jamais aceita por representantes do poder econômico, que já começam a entrar em estado de irritação aberta.

Um deputado, cheio de raiva, há poucos dias, chegou a afirmar que “esse negócio de proibir financiamento privado de campanha é coisa de comunistas e bolivarianos”, que isso fere a liberdade do empresário e do candidato. O que o valentão quis dizer é que o empresário, com tal medida, se veria ameaçado de perder seu direito, sagrado pela moral capitalista, de alugar ou comprar político e que este, por seu lado, perderia o direito de alugar-se ou vender-se para servir a grupos econômicos. O que nunca deve ser aceito por um ardente defensor do sistema capitalista que, sem roubo e exploração do trabalho alheio, não existiria.

A luta por uma reforma política, buscando acabar com o financiamento empresarial de campanha, vai desmascarar muitos políticos dos partidos do poder econômico que, hoje, fingem estar contra a corrupção, da qual, na verdade, nunca abriram mão.

Só quem age contra as causas da corrupção combate-a, de fato.

Alberto Souza