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DEU A LOUCA NO GOLPE, RACHOU

02/06/2017

Não faltou união entre os golpistas, até a conclusão do golpe que derrubou a presidente Dilma. Em nome de sua unidade, todos os seus agentes – tidos como corruptos, ou suspeitos de diversos crimes – foram preservados. Nada foi feito contra Eduardo Cunha que, já em pleno processo golpista, era considerado um verdadeiro gângster. Muito pelo contrário. Devido à sua importância para que o golpe se concretizasse, foi liberado pelo próprio Poder Judiciário para continuar à frente da escalada golpista na Câmara dos Deputados. Pôde usar todos os meios de que dispunha, na condição de presidente da Câmara, para conspirar contra a democracia. Nada ou quase nada se dizia contra Temer, Aécio, Jucá, Padilha e outros destacados golpistas, seja via grandes meios de comunicação, seja pelo Ministério Público. Ficaram intocáveis enquanto a marcha golpista avançava.

O que mais unia os golpistas eram os objetivos centrais do golpe : entrega das riquezas estratégicas do país, como a Petrobrás e o Pré-Sal a grupos econômicos nacionais e estrangeiros, principalmente, e a destruição de direitos da classe trabalhadora, acabando com a CLT e a Previdência.

Contudo, uma dúvida começa a se dar entre tais traidores do povo. Dúvida que ganhou corpo, mormente, a partir do crescimento da resistência popular à ação do presidente golpista de levar às últimas consequências medidas de porem fim a conquistas sociais dos que vivem de seu trabalho. Golpistas começaram a achar que Temer falha na sua tentativa de convencer a população a aceitar os objetivos básicos do golpe. Em outras palavras, Temer não estaria preparado para enganar as vítimas do golpe. Tentava enganá-las com suas mentiras, mas não tinha sucesso. E até mesmo gente que não era contra o golpe começou a ficar contra o mandante golpista. Este foi o primeiro momento de divergências entre os grupos golpistas.

Aí, começaram a aparecer denúncias contra golpistas que antes não podiam aparecer, para que eles permanecessem coesos na sua campanha de ataque diário ao governo de Dilma, até a sua destituição. Muitos integrantes do governo do golpe são acusados de corrupção, como nunca, levando vários deles a saírem do cargo que ocupavam. E, para piorar mais ainda a situação do bando golpista, Eduardo Cunha que, durante o processo golpista, ficou livre para ser o principal líder de todos os agentes do golpe na Câmara, principalmente de uma quantidade enorme de corruptos da sua tropa de choque, acabou parando na cadeia. Mais mal-estar entre os golpistas.

Mais um fator de certo descontentamento no seio do bando do golpe : existia um compromisso tácito, não declarado, entre os golpistas de que, com a saída de Dilma e do PT do governo, a Lava Jato deixaria de funcionar, ainda que parcialmente, já que teria desempenhado seu papel político, ao se tornar parte integrante importante, aliada à Rede Globo e à revista Veja, na campanha para colocar Temer no Palácio do Planalto. Liderados por Aécio, Jucá, entre outros, com a participação de Gilmar Mendes, não se deram conta, talvez, de que a Lava Jato passaria a ter de ir além de sua contribuição para a queda do governo petista, porque, se ficasse onde estava, se veria em maus lençóis com a opinião pública. Seria desmoralizada, acusada de estar comprometida com os corruptos do golpe por afinidade político-ideológica.

A Lava Jato não para. Golpistas em polvorosa. Entram no salve-se-quem-puder. Enquanto isso, Moro passa a ser visto por muita gente como imparcial. Grande ilusão, que pode ser usada contra Lula.

Nisso, uma bomba gigante estoura no Planalto, provocando enxaqueca em golpistas. Temer é pego com a boca na botija. Sua conversa criminosa com um famoso criminoso de empresa, as gravações sobre entregas de propinas para Aécio, seu principal companheiro de golpe no Senado, e a mala cheia de dinheiro de um seu aliado-assessor foram recebidas pela população como escândalos dos escândalos. Um mau cheiro nacional. Tapa-narizes em todo o país. Logo, 13 pedidos de impeachment contra o parceiro de Cunha são entregues na Câmara.

Frente a este quadro de revelação de crimes de golpistas, farsantes, que por muito tempo enganaram tanta gente, principalmente os analfabetos políticos da classe média, tornou-se inevitável o racha entre as forças do golpe. De um lado, a Rede Globo, com seus aliados do Judiciário e do Ministério Público, tenta criar a imagem de que existem golpistas limpos, atacando seus aliados notoriamente desmoralizados, a começar por Temer. Quer no Palácio do Planalto um golpista não “queimado”, um farsante, aos moldes de Collor, seu filhote político de 1989, vendido a milhões de inocentes como “caçador de marajás”. Quer um farsante, a ser vendido como “caçador de corruptos”. E o caminho adotado é a eleição indireta.

De outro lado, os quadrilheiros que não conseguem mais esconder-se, todos mais ou menos fiéis a seu poderoso chefão, dando o máximo de si, para evitarem o que consideram pior : a saída de Temer que, em perdendo o foro privilegiado, poderia parar em cana e arrastar com ele muita gente de seu bando.

Deu a louca no golpe. Os golpistas se digladiam.

Temer e seu bando, no entanto, sabem que uma coisa pode trazer certa unificação entre eles e os golpistas ora liderados pela Rede Globo. Tenta, através de mentiras, com apoio globista e de outros setores da mídia, passar a ideia de que a economia e a inflação melhoram, para, com isso, mostrar a todos os golpistas que ele continua ainda como a verdadeira alternativa do golpe para fazer tudo que os grupos econômicos exigem de cada golpista. Coloca-se como indispensável para a efetivação das tais reformas de destruição dos interesses dos trabalhadores e da entrega de patrimônios públicos ao poder econômico. Em outras palavras, o que Temer e sua tropa querem dizer é que quem melhora a economia, atende os interesses de grupos capitalistas, tem o direito até mesmo de cometer crimes de corrupção e outros. Quer, com isso, afirmar que aos grupos econômicos nada importa se agentes do governo cometem crimes ou não : o que lhes importa é que o governante faça a política de os fazerem nadar em mares de lucros. Bom, a lógica capitalista é esta : o vale-tudo. Mas, bem informados, os grupos econômicos sabem que o golpista do Palácio da Alvorada mente ao falar de crescimento econômico.

Bom, Temer e seu bando não estão tendo êxito com esse jogo, com esse ardil. Mesmo setores do empresariado, embora tendendo a aceitar que um governante corrupto é um ficha limpa, desde que esteja a serviço de seus privilégios, não veem mais o golpista-presidente como seu predileto para ficar à frente de seus interesses e do golpe. Querem um traidor do povo e do país sem o mau cheiro do atual presidente golpista. Também querem mudar de farsante-mor. Dono do golpe, o empresariado parece querer outro golpista no Palácio do Planalto.

Há entre as forças progressistas, democráticas, de esquerda, um certo entusiasmo frente ao racha golpista. Acham que podem tirar proveito desta crise entre os diversos agentes do golpe, encurralando-os até sua derrota final. Que os golpistas briguem entre si é bom para os que lutam contra eles. Mas, isso não nos garante que se desunam a tal ponto que cheguem, por exemplo, a ficar contra as tais reformas de destruição dos direitos da classe trabalhadora; que cheguem a recuar em relação ao propósito de vender o país. Alguma divisão entre eles, que os leve a não destruir direitos do país e do povo, só é possível por meio da luta crescente de milhões de trabalhadores em todo o país.

Contra o golpe, Diretas Já !

Marcelo Fonseca

COM TEMER OU SEM TEMER

02/06/2017

Com Temer ou sem Temer, a quadrilha de golpistas não vai desistir de tudo fazer para aprovar os projetos de destruição dos direitos da classe trabalhadora, acabando com a CLT e a aposentadoria.

Rede Globo e outros golpistas associados a setores do Poder Judiciário querem se livrar do mau cheiro de Temer, mas defendem o fim dos direitos da classe trabalhadora noite e dia.

E a quadrilha do Parlamento é financiada, comprada, pelos grupos econômicos para isso.

Assim sendo, todo trabalhador deve cumprir seu dever : ir às ruas contra o golpe que foi montado e realizado para acabar com suas conquistas.

Direta já é o caminho. Eleição indireta é golpe no golpe.

Antônio de Freitas