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DIREITOS HUMANOS EM CUBA (I)

29/03/2010

Não é Cuba que comete tortura, assassinatos, genocídios contra os opositores internos ou externos. Não é Cuba que pratica crimes de lesa humanidade. Só não vê isso quem está a serviço do imperialismo e dos interesses que este representa, ou os que por despolitização ou ingenuidade se deixam levar por mentiras sem as quais as oligarquias nacionais e internacionais não permaneceriam no poder mais que dias.

Quem praticou todos os tipos possíveis de atrocidades contra seres humanos e continua praticando são os impérios, principalmente o estadunidense e seus apoiadores, ora em ação direta contra povos, ora apoiando ditaduras, como a de Franco na Espanha, o apartheid na África do Sul, a da Indonésia (que assassinou cerca de um milhão de pessoas), as da América Latina – responsáveis não só por crimes de tortura, mas também pelo assassinato de milhares de pessoas que, só no Chile, Argentina e Guatemala, chegaram a destruir mais de 200 mil vidas humanas.

Criminosos indiretos ou diretos são as redes de televisão e grandes jornais da direita de todo o mundo que apoiaram tais ditaduras, por conseguinte, os seus crimes, e que continuam apoiando as atrocidades de Israel contra o povo palestino, os genocídios dos Estados Unidos e outros impérios no Iraque e no Afeganistão. Meios de comunicação que entrevistam criminosos comuns de Cuba ou traidores de um país que se vê sob criminoso bloqueio econômico estadunidense há mais de 50 anos – todos promovidos pela direita mundial a dissidentes políticos – mas que não entrevistam as vítimas ainda com vida, ou alguém dos seus familiares, das torturas praticadas pelos Estados Unidos em Guantânamo, Iraque, Afeganistão. Sequer dizem alguma coisa sobre as prisões secretas do Iraque e Afeganistão – centros de torturas e morte criados pelas tropas estadunidenses e potências européias nestes países.

Nunca entrevistaram algum membro de centenas de cubanos assassinados por terroristas organizados em território dos Estados Unidos ao longo de décadas, de onde partem para a prática de todo tipo de ação criminosa contra o povo cubano e seu governo.

Em relação ao Brasil, a mídia de direita não só se recusa a ouvir as vitimas ou familiares da ditadura militar, implantada em 1964 para defender através de matança e torturas interesses das oligarquias locais e externas, como também não ouve qualquer pessoa ligada às famílias dos trabalhadores do campo, dos sem-terra e de habitantes da cidade, assassinados por policiais – caso em que agentes do Estado só nos últimos 10 anos já chegaram a pôr fim à vida de milhares de pessoas, numa situação em que qualquer suspeito, ou suposto suspeito, é tratado como bárbaro criminoso, logo, candidato à morte; num quadro em que movimentos sociais são criminalizados, sujeitos, portanto, à prisão e até mesmo à morte, em decorrência de ações das forças repressivas de governos reacionários. Fato que incentiva e tenta justificar ações criminosas de latifundiários – novos “coronéis” do campo ou herdeiros destes – como o assassinato de militantes sociais e inclusive de religiosos que os apóiam na luta contra a desigualdade e injustiças.

Destarte, não é em Cuba que o trabalhador é assassinado ou preso por defender seus direitos; não é em Cuba que acontecem tortura e morte realizadas contra qualquer pessoa, criminosa ou não, criminoso comum ou não. Nenhum dos chamados dissidentes, na prisão ou não – nem mesmo sob a orientação de quem os apóia – , chegou a dizer que foi torturado em Cuba, certo de que tal acusação seria facilmente desmascarada. Cuba se inspira em valores humanísticos e revolucionários, libertadores; por conseguinte, pela natureza de seu projeto, não pode ser afeita a crimes inerentes à alma dos que não têm alma, que só vêem um caminho para defender os seus interesses: a violência como seu valor universal; lógica de todas as classes sociais de ontem e de hoje, que fundamentam sua existência na opressão e exploração de uns poucos sobre o conjunto da sociedade.

Ocorresse em Cuba qualquer desrespeito à pessoa humana como ocorre em países dominados pelas oligarquias, pela direita, quem primeiro se manifestaria contrariamente seriam as próprias forças humanistas e revolucionárias de todo o mundo, por entenderem que o governo cubano estaria contra os valores do humanismo e do socialismo, desrespeitando uma ética própria dos que lutam por uma sociedade anticapitalista. Mas as forças de direita agora inventaram uma nova astúcia: desmoralizadas pelo que fazem contra seres humanos, pelos crimes que cometem contra as massas trabalhadores e populações em geral, tentam convencer as pessoas de que seu vale-tudo, a violência que praticam contra os seus opositores ou supostos opositores, não é inerente apenas ao seu ser, mas também a qualquer pessoa ou governo. Como não têm projeto humano, pela sua própria natureza, porque isso seria a sua própria negação, ou suicídio – tentando eternizar-se na dominação dos que exploram e oprimem –, tentam provar que, como elas, todo ser humano é desumano. Tentam convencer incautos de que todos os humanos estão no seu lamaçal. É, talvez, a sua principal arma ideológica nos dias de hoje.

Comitê Bolivariano de São Paulo

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