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A CORRUPÇÃO E O CAPITALISMO

27/11/2014

Quem não é contra o capitalismo, consciente ou inconscientemente, não é contra a corrupção. Não existe capitalismo sem corrupção, institucionalizada ou não. Capitalismo é sinônimo de exploração e roubo. As suas primeiras vítimas estão na produção de mercadorias, produzindo valores, dos quais recebem apenas uma pequena parte, em forma de salário, indo o restante para quem as explora. Mas, a coisa não para aí, é claro. Destaquem-se os maiores rapinantes da atualidade, os banqueiros, praticantes de agiotagem, legalizada ou não, sanguessugas de quase toda a humanidade que, para um PIB mundial de mais ou menos 60 trilhões de dólares, especulam com um montante fantasmagórico de, aproximadamente, 500 trilhões. São os vampiros globais. Só o pobre povo brasileiro é obrigado a verter seu sangue numa quantidade de 300 bilhões de reais, só com os juros da dívida, anualmente.

Além dessa rapinagem maior, há ainda outras, como a especulação fundiária e a chamada evasão fiscal para os tais paraísos fiscais, de quantia incalculável.

A corrupção, assim, é apenas um dos tipos de roubo integrantes do sistema capitalista que, quando não se fundamenta na imoralidade legalizada, é usada por cínicos e hipócritas para mascarar um corpo doente pela sua própria natureza. Um pensador, defensor do capitalismo, dizia, num de seus trabalhos, que a corrupção é um estímulo positivo para empreendedores, ou seja, sem corromper, o empresário fica sem um dos seus bons alimentos.

Certa vez, num debate, eu dizia a um parlamentar, defensor ideológico do capitalismo, que – ao praticar corrupção – um partido ideologicamente burguês deve, evidentemente, ser condenado pelo seu ato imoral, mas, por incrível que pareça, não pode ser acusado de incoerência, pois – quem defende um sistema fundamentado no roubo, considerado indispensável para o seu próprio funcionamento – ao roubar, age inclusive por princípio.

Enfim, quem defende um mundo fundamentado no enriquecimento de poucos às custas da quase totalidade dos seres humanos, na prática, não é contra a corrupção, praticando-a ou não. Uma determinada pessoa pode ser uma defensora do capitalismo e ser honesta, bem intencionada e, até mesmo, indignada com as injustiças; contudo, inconscientemente, ao mesmo tempo em que ataca o roubo, sem perceber, defende a sua continuidade.

E os que lutam contra o capitalismo, pelo socialismo, como devem agir em relação à corrupção?

Ora, enquanto um defensor convicto do capitalismo – ao praticar a corrupção – não nega, de fato, seus próprios princípios ideológicos, sendo sua imoralidade, até mesmo, um caso de coerência, esta mesma imoralidade – ao ser praticada por quem luta por uma sociedade fundamentada na negação do enriquecimento de uma minoria às custas da exploração e roubo da maioria – é considerada um ato de traição a princípios. O defensor do capitalismo, ao praticar a corrupção ou outro tipo de roubo, não se nega, não se destrói, já que não estaria agindo contra princípios próprios. Ao contrário, se confirma, se sustenta. Diferentemente acontece com quem luta contra a sociedade capitalista: seu envolvimento com qualquer tipo de roubo é a sua morte ideológica, moral, passando a ser tudo o que se possa imaginar, menos um socialista, porque, este, por princípio, não pode roubar.

Agora, não nos esqueçamos de que é incalculável a quantidade de pessoas, no mundo inteiro, que acham ser possível moralizar o capitalismo, fazê-lo existir, continuar, sem roubos. Uma quantidade ilimitada de pessoas sérias, de boa fé, mas, de clara ingenuidade.

Marcelo Fonseca

QUEM ODEIA SIMÓN BOLÍVAR ?

18/11/2014

Bolívar, O Libertador, tinha um sonho: uma América Latina unida, independente de qualquer império, justa e feliz. Já percebia que os Estados Unidos, império emergente na sua época, tinha a pretensão de ter o domínio de nosso continente.

Em geral, todo anti-imperialista, defensor de uma América Latina livre, soberana, inspira-se também em Bolívar. Chávez levou isso às últimas consequências.

Por outro lado, quem acha que este continente deve ser quintal dos EUA, obediente a seus interesses, odeia Bolívar.

Como Dilma não aceitou serem ela e o Brasil espionados pelos Estados Unidos – não aceitando também se subordinar à política estadunidense de agressão aos povos, além de suas boas relações com os demais países da América Latina –, é chamada de bolivariana pelos que acham que o Brasil deve ser uma espécie de neocolônia do Império do Norte.

Claro, Dilma não é bolivariana, mas, ao não aceitar que o imperialismo ianque agrida a soberania do nosso país e ao não se submeter à sua política de inimigo número um da própria humanidade, dá um passo na direção do Libertador, ainda que seu governo não possa ser considerado anti-imperialista no real sentido do termo.

O grande problema das oligarquias, dos setores antidemocráticos e antipatrióticos da América Latina e do seu senhor do Norte, é que Bolívar retorna ao nosso continente, em forma de milhões que desejam ser livres.

Cláudio de Lima

A MARCHA DA FOBIA DEPOIS DAS ELEIÇÕES

12/11/2014

Dias depois da derrota do seu candidato, lá estavam eles na Av. Paulista. Todos cheios de fobia para dar.

Um encontro polifóbico. Declarados ou não, ali se juntavam em marcha homofóbicos, nordestinofóbicos, negrofóbicos e outros tipos de preconceituosos: contra pobres; operários; moradores de periferias, de favelas…

Vários com as suas faixas: “Fora Lula!”, “Impeachment de Dilma”, “Fora Dilma!”, “Abaixo a Ditadura do PT!” e outras.

Quem não tinha faixa não deixava por menos: “Democracia sem ditadura não funciona!”, “Queremos a volta dos militares para salvar a liberdade!”, “Liberdade sem ditadura não funciona!”

Era o casamento perfeito da fobia com o absurdo.

No meio de tantos fóbicos aparecia o cantor Lobão. Gritava e arfava, andava de um lado para outro, em giro, virando compulsivamente a cabeça para todas as direções. Considerava-se o líder da Marcha. Intransigente, bateu boca com outro fóbico na disputa por holofotes.

Mas, o narcisismo de Lobão não conseguiu evitar o destaque de uma fóbica durante a Marcha.

Era uma mulher bem vestida, muito irritada, de olhos sanguinolentos, excessivamente piscantes, que assumiu a missão de mais atacar Bolívar. De punho fechado: “Fora Bolívar!”, “Fora Bolívar, este comunista!”, “Este desgraçado apoiou Lula e Dilma!”. Outros fóbicos: ´”É isso aí, fora este comunista!”

Um jornalista pensou em dizer à valentona que Bolívar faleceu em 1830. Não se arriscou. Pensou em escrever um artigo: “O Absurdo na Av. Paulista”. Desistiu. Não seria publicado e, além disso, perderia o emprego.

Antônio de Freitas