Archive for junho \30\UTC 2014

MONIKA ERTL: A MULHER QUE VINGOU CHE GUEVARA

30/06/2014

A boliviana de origem alemã, Monika ERTL, provou que nenhum criminoso está livre do alcance da justiça e que os fascistas não devem permanecer impunes, ainda que os tribunais oficiais e os legisladores se comportem como seus cúmplices. Também nos ensinou que, apesar da origem de uma determinada pessoa, de ter nascido em uma família nazista, ou numa família burguesa, ela pode mudar seu destino, sentir-se indignada e, assim, como disse Che, “ser irmã na indignação” de todos aqueles que sonham e lutam por um mundo melhor, de igualdade e justo.

Filha de um dos grandes propagandistas do nazismo, Hans ERTL, conhecido por muito tempo como “fotógrafo de Hitler”, Monika foi levada pelo seu pai para a Bolívia, quando o Exército Vermelho acabou com o Terceiro Reich, e muitos de seus agentes se evadiram da Alemanha, em muitos casos com a colaboração da elite capitalista dos EUA, Inglaterra ou França etc., para diferentes lugares do mundo, especialmente para a América Latina.

Monika foi criada num ambiente fechado e racista, onde se destacavam tanto o seu pai como outro sinistro personagem, que ela costumava chamar, com carinho, de “tio Klaus”. Um empresário alemão, ex-chefe da Gestapo, em Lyon, com o pseudônimo de “Klaus Barbie”, mais conhecido como “O Carniceiro de Lyon”.

Klaus Barbie trocou seu sobrenome por “Altmann”, antes de envolver-se com a família ERTL. Em estreito círculo de personalidades em La Paz, este indivíduo ganhou suficiente confiança e espaço a tal ponto que o próprio pai de Monika decidiu apresentá-lo como cidadão judeu-alemão, tendo conseguido, desta maneira, seu primeiro emprego na Bolívia.

Sobre este nazista, sabe-se que assessorou ditaduras sul-americanas, contando com o apoio de sempre das grandes corporações capitalistas norte-americanas.

Entretanto, a jovem e bela alemã cresceu e tudo mudou no final dos anos 60. A morte de Che Guevara na selva boliviana foi decisiva para tal mudança. Monika rompeu com as suas raízes e, numa virada gigantesca, passou a militar nas fileiras do Exército de Libertação Nacional (ELN), um grupo de guerrilheiros criado pelo próprio Che Guevara.

Em 1971, ela cruza o Atlântico, volta à Alemanha, sua terra natal e, em Hamburgo, pessoalmente, executou o cônsul boliviano nesta cidade. Quem era esse desprezível fascista? Nada menos que o coronel Roberto Quintanilla, o responsável pelo ultraje final imposto a Guevara: a amputação de suas mãos.

Em Hamburgo, Alemanha, eram 9:40 da manhã de um dia de abril de 1971. Uma bela e elegante mulher, de lindos olhos azuis, entra no escritório do cônsul da Bolívia e, pacientemente, espera ser atendida. Enquanto espera na sala, olha, indiferente, os quadros que adornam o escritório. Roberto Quintanilla, cônsul boliviano, trajado elegantemente de roupa escura de lã, aparece e cumprimenta a jovem, impactado pela beleza dessa mulher, que se apresenta como a australiana que, dias atrás, lhe havia solicitado uma entrevista. Por um rápido momento, ambos se encontram frente a frente. A vingança aparece encarnada num rosto feminino muito atraente. A mulher de beleza exuberante o encara e, sem meias palavras, saca o revólver e dispara três vezes. Não houve qualquer tipo de resistência, luta. O alvo foi plenamente atingido. Em sua fuga, deixou uma peruca, sua bolsa, seu COLT 38 Special e um pedaço de papel, em que estava escrito: ”Vitória ou Morte, ELN”.

Após Monika concretizar seu objetivo, teve início uma caçada, ao longo de países e mares, que só teve fim quando ela tombou morta em 1973, numa emboscada que, segundo fontes, foi montada pelo seu traidor “tio”, Klaus Barbie.

Uma incrível história, resultado de um grande trabalho de pesquisa de Jurguen Schreiben, um dos mais premiados jornalistas alemães da atualidade, tirando tal fato do esquecimento e da ocultação.

APORREA

Anúncios

BURGUÊS OCULTO

27/06/2014

Conversando amistosamente com um burguês, perguntei-lhe como se sente como burguês. Ficou bravo! Não queria ser chamado de burguês. Mudei. Perguntei-lhe sobre sua vida de capitalista. Ficou bravo! Não queria ser chamado de capitalista. Perguntei-lhe se era filiado a algum partido de direita. Ficou bravo! Não queria ser chamado de direita.

Conversando com um operário, perguntei-lhe como é sua vida de operário. O operário não ficou bravo! O operário não fica bravo quando é chamado de operário, se tem consciência de classe, não fica bravo quando é chamado de socialista, revolucionário, de esquerda. O burguês fica bravo quando é chamado de burguês, capitalista, de direita…

Por quê?!

Cláudio de Lima

REVOLTA DE RICO

27/06/2014

Andava eu pela Alameda Santos, ao lado da Av. Paulista. De repente me deparo, numa esquina, acompanhadas de dois cachorrinhos peludos, com duas mulheres, até que mais ou menos bonitas, lá com os seus mais de trinta anos. Falavam alto e me pareciam bastante irritadas. Soltavam o verbo! Diziam que todo político é ladrão, corrupto… O governo era o mais atacado. De fato estavam revoltadas. Reclamavam em sequência. Não paravam. Chamavam os trabalhadores do Metrô de grevistas vagabundos, que não querem trabalhar, querem ganhar o que não merecem… Diziam que a polícia deveria matar “esses ladrõezinhos sem-vergonha que andam roubando pelas ruas.”

Aí veio a vez das empregadas domésticas. Uma delas, em voz alta: “não aguento mais, agora vêm uns tais direitos para as domésticas, não sei se mando a minha embora… bom, gosto muito dela, é muito boazinha, não é desses tipos que andam reclamando. Mas, logo vem o sindicato e põe coisas na cabeça dela… situação difícil a minha. É que meu apartamento é muito grande, com várias suítes… mais despesas para meu marido. Coitado!” A outra rebelde não deixou por menos. Era a vez da Bolsa-Família: “e este governo aí, gastando nosso dinheiro, pago com nossos impostos, com esta tal de Bolsa-Família, dando dinheiro para um monte de vagabundos que não querem nada com o trabalho, você viu o que saiu na televisão?”

Diziam as indignadas que não aguentam mais o aumento do custo de vida. A que falava mais alto: “tá tudo muito caro, fico louca com esta carestia, apenas com o Marlon, esta lindeza de cachorro, já gastei quase dois mil reais só este mês.” A outra, insatisfeita: “daqui a pouco ninguém vai poder ter um bichinho de estimação em casa… não sei onde vai parar esta situação!”

Uma pausa. As descontentes, de rosto fechado, começaram a andar, caladas. Lá iam elas, cada uma com o seu cachorrinho. E os bichinhos pareciam ter entendido os brados das duas valentes. Balançavam o rabo e davam latidinhos. Aí elas começaram a rir.

Alberto Souza

DITADURA DESOCULTADA

27/06/2014

Tendo participado do Foro dos ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo, eu e meus companheiros tínhamos muitas dificuldades para conversar com a população, inclusive no meio sindical e estudantil, sobre a ditadura civil-militar implantada em nosso país em 1964, que setores político-sociais a criaram e a serviço de que classe social ela estava.

Felizmente, uma boa novidade no ano em curso: mesmo algumas redes de televisão, mormente de canal fechado, realizaram muitos programas para tratar de um dos períodos mais trágicos da história do nosso povo, com depoimentos de democratas dos diversos perfis ideológicos que lutaram pela conquista da democracia no país. Muitos debates, depoimentos, palestras e homenagens às vítimas da ditadura – ex-presos, perseguidos, torturados e mortos – foram realizados em sindicatos de trabalhadores e em escolas.

A ditadura começou a ser desocultada. Uma derrota para os que tudo têm feito para que ela não seja conhecida pela nossa população.

Alberto Souza