Archive for maio \16\UTC 2016

GOLPE : UMA QUADRILHA EM BRASÍLIA CONTRA O NOSSO POVO

16/05/2016

Mais de duzentos quadrilheiros, liderados por Eduardo Cunha. Foi este amontoado de corruptos, associado a muitos acusados de corrupção no Senado, que, na prática, viabilizou o golpe, apelidado de impeachment. Quer esta quadrilha safar-se dos crimes de que é acusada. Quer o fim da Lava Jato. Quer o engavetamento de acusações. Coisa impossível com a presidente afastada, independentemente da vinculação partidária dos acusados. Vários deste bando já viraram ministros do governo golpista. O golpe possibilitou a união da quase totalidade dos corruptos do Parlamento. Quadrilheiros de diversos partidos, como nunca, agora, se dão as mãos. Na verdade, acham que, unidos, são imbatíveis. A grande vítima desta bandidagem é o nosso povo, principalmente a classe trabalhadora. O golpe só aconteceu porque o banditismo de parlamento, sob a ordem dos grupos econômicos, comprometeu-se em derrotá-la. Medida necessária para a retirada de diretos dos trabalhadores como também descarregar sobre eles o peso da crise econômica, destruindo suas conquistas, tirando de seu sangue o que deveria ser tirado de banqueiros e outros ricaços. Medida necessária para que as demandas de empresários, como a terceirização da força de trabalho, a Reforma da Previdência, achatamento de salários e outros danos à classe trabalhadora se concretizem no Congresso. Medida necessária para que gangues do Parlamento sirvam plenamente a gangues do capital financeiro, a grandes sonegadores de impostos, a todos os tipos de ladrões e exploradores da quase totalidade da população. Igualmente a todos os golpes anteriores, como o de 64, dá-se o atendimento dos lesa-pátria, de traidores do nosso povo, aos interesses de empresas estrangeiras de petróleo no Pré-Sal e na apropriação da própria Petrobrás e de outros patrimônios nacionais. Como os golpes anteriores, golpistas tratando o Brasil como uma colônia ou neocolônia de grandes potencias capitalistas, mormente dos EUA. Agora, o caminho é lutar para derrotar o regime golpista, como se deu no passado para pôr abaixo a ditadura civil-militar de 64.

APOIO DE MALANDROS E INGÊNUOS

Empresários à busca de sucesso, de mais enriquecimento, criaram grupos e foram às ruas defender o golpe, atentado à democracia. Faziam o que fazem os golpistas de todos os tempos: fingiram estar contra a corrupção, para, na verdade, ficarem a favor dela. Prova disso é que se tornaram frequentadores assíduos de gabinetes de corruptos do Parlamento. Eduardo Cunha, campeão nacional da corrupção, era o mais visitado por tais fingidores. Era o ídolo deles. Não faltava cafezinho em seu gabinete para os valentes fascistas de rua. Contudo, o pior de toda esta fanfarronice é que, aparentemente, fazia parte dela grande quantidade de ingênuos, analfabetos políticos, acreditando existir um mínimo de boa-fé nos discursos de seus líderes, não notando que, na realidade, estavam apoiando a grande quadrilha do Parlamento. Não percebiam que Cunha e seu bando sempre recorriam a suas manifestações para se fortalecerem, usando-as para justificar suas atitudes de quadrilha. Estando contra o PT e Dilma, Cunha se sentia um grande quadrilheiro protegido por milhares de golpistas de rua. Chegou até mesmo a sentir-se adorado por estes defensores do golpe, apelidado de impeachment. Fez chantagem com isso até onde pôde. Depois, seu passo seguinte: instalou o impeachment golpista. Sentiu-se o mais vitorioso dos gângsteres. Posteriormente, dia 17 de Abril, dirigiu no palco da Câmara dos Deputados a peça ‘O Circo dos Horrores’. Hoje, admitindo-se isso ou não, não há dúvida de que as tais manifestações domingueiras, de ódio e preconceitos, de fascistas conscientes, mas também de analfabetos políticos, são responsáveis para que a corrupção se tornasse mais vitoriosa que nunca no Parlamento, de onde saiu a quadrilha que, com um Golpe de Estado, no momento, está à frente do governo. Ministros investigados sob acusação de crimes de corrupção não faltam. A corrupção está em festa em Brasília! Mas, o tempo é processo, é impiedoso, acaba revelando tudo. Assim, espero que muitos dos enganados, apenas analfabetos políticos, aparentemente ingênuos, sem demora, percebam em que buraco se meteram.

DILMA E O GOLPE

Dilma cometeu erros. Creu na possibilidade de salvar seu mandato, aproximando-se mais da direita, afastando-se do povo, que, de fato, a elegeu. O aceno mais claro nesta direção foi a admissão do banqueiro Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. Começou a fazer a política econômica que, em grande medida, faria o seu adversário da disputa eleitoral de 2014. O esperado aconteceu: sindicatos e movimentos sociais, exatamente os principais responsáveis pela sua vitória contra o neoliberal, Aécio Neves, foram às ruas em protestos. Pediam a cabeça de Levy. Dilma insistia em manter o representante do capital financeiro, que logo não brincou em serviço: taxas de juros nas nuvens e ajuste fiscal nas costas do povo, principalmente da classe trabalhadora. Dilma não parou por aí. Continuou apostando em aliados do PMDB. Por aí morreria o impeachment – pensou. Daí porque concordou com Renan Calheiros em aceitar um projeto entreguista de José Serra, determinando que a Petrobrás não ficasse mais na condição de operadora única da exploração e produção do petróleo do Pré-Sal, como também tirando da empresa o direito de, em qualquer situação, participar com 30% dos contratos de produção petrolífera determinados em leilões. Mais uma medida errada de uma presidente eleita pela classe trabalhadora. As pressões das massas trabalhadoras organizadas sobre o governo não paravam. Tinham os trabalhadoras clara consciência de que a opção de Dilma de procurar a solução da crise econômica e política pela direita não resultaria noutra coisa senão tirar direitos e conquistas do conjunto de assalariados do país. Cobravam do governo que tirasse dos ricos os recursos necessários para a solução do problema da economia. O neoliberal Levy, com suas medidas, apenas fez o quadro econômico piorar. Todavia, contra fato não há argumento. Dilma teve de demiti-lo, e passou a acenar para um certo nível de atendimento aos movimentos sociais e sindicais. Pelo menos, concordando em manter os programas sociais, em geral, e andar mais devagar com a história da contenção de gastos, entendendo ter chegado a hora de o Estado agir mais nos investimentos para a possível recuperação do crescimento econômico, mantendo, porém, o ajuste fiscal, com alguns reparos, considerado menos radical e agressivo. No fundamental, apesar da saída de Levy, a política econômica de Dilma, em certo sentido, não descontentava o tal de mercado, os grupos econômicos. Mas, governo, em momento de crise, perde popularidade, politicamente enfraquece-se. E por aí, perde apoio. Perde aliados. No caso de Dilma, aliados conservadores, de partidos mercadológicos. E aliados de direita não brincam com essas coisas. Política para eles é uma forma de negócio, logo tem de dar retorno. Do contrário, debandada. Vão investir em outras bolsas. O que para eles é uma questão de princípio fundamental. A crise se aprofunda, Dilma se vê entre dois fogos. De um lado, o da burguesia, que se recusa a abrir mão de algum lucro e privilégios como forma de contribuir para amenizar a crise econômica, demonstrando exatamente o contrário, principalmente seu setor rentista, ao procurar tirar o máximo de proveito da situação para ganhar mais, através de especulações; do outro, o dos setores mais conscientes e organizados da classe trabalhadora – reagindo para que não lhes fossem tirados direitos e benefícios conquistados ao longo de décadas de luta – evitando ter de responder por uma ruína econômica da qual não têm a menor culpa. Os trabalhadores lhe exigiam que tirasse recurso de quem muito tem, que aplicasse impostos progressivos, tributação de grandes fortunas etc. Os donos reais do poder, o conjunto de capitalistas, logo deixaram claro que classe social que se encontra no poder não faz concessões. A luta de classe se revela. Sob duas pressões de classe, Dilma procurou agradar a ambas. Não agiria contra o poder econômico, mas atenderia, na medida do possível, reivindicações dos que a elegeram. Deixa claro que programas sociais seriam mantidos, custe o que custar. Demonstrava tendência a vetar o tal projeto da Terceirização, não mexeria nas regras de ajuste do salário mínimo, e falava, com a devida cautela, sobre a questão da Reforma da Previdência. Alimentava ainda certa esperança de que as forças nacionalistas, patrióticas, seriam mais ouvidas em relação a políticas para o Pré-Sal. Esta Dilma que, não obstante não se colocar contra os donos do capital, dispunha-se a não destruir muitas conquistas do povo, da classe trabalhadora, principalmente num momento de crise econômica, jamais seria suportada por uma minoria de ricaços que, de fato, tudo pode no país. Conspirações e mais conspirações assolam o Brasil. As forças de direita, expressas institucionalmente num Congresso ultraconservador, composto inclusive por grande quantidade de seitas obscurantistas, percebendo que a conjuntura política lhes era favorável, partiram para o vale-tudo. Em claro atentado contra a pobre democracia existente, tiraram da Presidência da República uma presidenta eleita pela maioria da população brasileira, para implementar o seu projeto antipopular, de destruição de direitos trabalhistas e de entrega de patrimônios nacionais a grupos econômicos brasileiros e estrangeiros. O Golpe de Estado aconteceu.

O REGIME GOLPISTA PODE DURAR?

Os golpistas acham que seu regime veio para ficar, que, inclusive, apenas cumpriram a primeira etapa de seu projeto. Pensam que, se a ditadura implantada em 64 durou 21 anos, os seus governos poderão ficar para sempre. Um após outro virá para ficar. Claro, uma fantasia própria de golpistas, de fascistas. Não se dão conta de que um povo que foi capaz de derrotar os golpistas da ditadura civil-militar já demonstrou estar disposto a não aceitar perdas de liberdades democráticas, direitos políticos e sociais. Não percebem que a resistência a seu crime contra a democracia cresce sem parar, que, por isso, sua derrota se dará sem demora.

ÀS ESQUERDAS.

Uma reflexão para as esquerdas, para quem luta contra o capitalismo. Se o governo do PT — de um partido que nem pode ser considerado de esquerda, anticapitalista, apenas com alguma sensibilidade social e democrática, que tem governado em aliança com setores conservadores, representantes dos grupos econômicos – passa a ser objeto de um golpe de direita dos senhores do capital, imaginemos o que poderia acontecer se um partido que luta pelo socialismo chegasse ao governo. Por isso, não basta que as forças anticapitalistas lutem por vitórias eleitorais, pelo conquista do governo ou poder. É imprescindível também que, ao mesmo tempo, se desenvolva a capacidade de organizar-se para a defesa deste governo ou poder. Não nos esqueçamos de que a burguesia só aceita decisões democráticas quando estas não oferecem nenhuma ameaça a seus interesses. Sua democracia é a democracia sem povo, em que a classe trabalhadora ainda não assume o seu papel de lutar contra o sistema econômico-social que a explora. Quando a classe trabalhadora se organiza, avança politicamente, a opção da burguesia, em geral, é o fascismo.

COMO NA ARGENTINA…

Na Argentina, a direita, de fato, ganhou as eleições. Não chegou ao governo através de um golpe. Isso deve ser dito. Contudo, como seu papel principal é ficar contra os interesses da classe trabalhadora, milhões de trabalhadores já estão nas ruas, em luta contra suas medidas políticas e econômicas. O governo antipovo daquele país rapidamente perdeu a máscara, a capacidade de enganar. Aqui não é diferente. A classe trabalhadora e outras forças democráticas já estão nas ruas, em luta para derrotarem o governo golpista, a direita sem voto.

Dionísio Fragoso

MAL DE REGRESSÃO

06/05/2016

Há quem pense as piores coisas dos ex, ex-comunistas, ex-humanistas, ex-socialistas, ex-petistas : que eram, por exemplo, agentes das forças de direita infiltrados nas organizações de esquerda, progressistas… Não digo isso. Acho mesmo que eles são da corrente do Mal da Regressão. A História está cheia deste tipo de gente. Gente do tipo de Alberto Goldman, Hélio Bicudo, Rodolfo Konder, Roberto Freire, Ferreira Gullar, Aloysio Nunes, e outros da mesma linha, sempre houve. Objetivamente, são traidores? Sim, são. Infelizmente, não existe luta por um mundo melhor, mais humano, sem traições. O Mal da Regressão pode levar um ex ao fascismo. No momento, os ex se unem a Bolsonaro, a obscurantistas de parlamento e a fascistas de rua

Odilon Pereira

17 DE ABRIL : DIA DOS HORRORES NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

03/05/2016

Dia 17 de abril de 2016. Um dia de horrores. Era a exibição de uma peça teatral de autoria da Rede Globo. O palco da encenação:  a Câmara dos Deputados. Alguns desavisados poderiam imaginar que os atores viriam de fora da Câmara. Não sabedores de que a Câmara tem seu próprio elenco. O espetáculo teve início mais ou menos às 16 h. Em cena, o primeiro ator. Com gritos de ódio, com Deus na ponta da língua, disse estar contra o Diabo. E foi adiante. Pediu a Deus exclusividade para sua mulher, filhos, uma neta… Proteção total para toda a sua sagrada família. Em seguida, outro, no palco. Nada a dizer: repetiu o primeiro. Em passos de trote, outros de mesmo papel, repetindo os anteriores. Não paravam as repetições. Deus pra lá, Deus pra cá, minha esposa… “fora o Diabo!” Uma Guerra do Mal contra o Bem, destes dois desconhecidos. Um quadro de regressão. O diretor da peça, repentinamente, se empolgou. E, gritando Deus, entrou no palco para defender as tradições. Deu-se mal. Um dos de fora do elenco, impacientemente, soltou o verbo: “você não, você é ladrão!” Vozes de socorro ao diretor: “respeite o diretor, seu bolivariano, seu comunista!” Outro, de fora do elenco: “calem essa boca, vocês também são ladrões!”. “Não querem que eu fale de seu chefe!” Alguns dos de fora do elenco pediam socorro à Razão. Sem sucesso. Um quadro de regressão! Perguntas na plateia: “O que pretende a Globo com esta peça, quer enlouquecer todo mundo?” Lembrei-me das piores coisas que já vi. Tentei comparações. Fracassei. O espetáculo Global continuava. Um ator aparece, interpretando um personagem que fala Deus e xinga. Os xingados, ninguém os identifica. Fiz o máximo de esforço: tentei achar adjetivos apropriados para o que via e ouvia. Impossível.  Meu pobre vocabulário me frustrou. Pus-me a perguntar: de onde vêm tantos homens de paletó escuro e mulheres de vestidos azulados, berrando fobias e famílias sem pecado? Teriam vindo da Idade Média? Bom, mas estamos no século 21! Um nó na minha cabeça. Luzes, no entanto. Achei! Trata-se da fusão de ideias medievais com o fascismo. O fascismo é regressivo. Daí, este casamento do obscurantismo de ontem com o obscurantismo de hoje. Não demorou. Logo veio a confirmação de minha conclusão. Em passos marchantes, um dos personagens de paletó escuro entra no palco e berra, quase fala, voz fracionada. Parecia querer vomitar. Não se limita o bruto de gravata. Vomitalmente, escancara-se: imagina-se numa sala de tortura e de extermínio de humanistas, de democratas… homenageia seu herói, o maior assassino e torturador de opositores à ditadura civil-militar implantada em 64. Em seguida, aos saltos de bicho estranho, com urros de Gestapo, sai, aos gritos, dizendo palavras misturadas com cuspe. O discurso vomital foi fortemente aplaudido. Vozes ecoavam entre os integrantes do elenco: – Viva Jesus!  Palavras abençoadas!  Diziam os medievo-fascistas. Senti-me momentaneamente, mais uma vez, fora de qualquer astro. De fato, terrível mal-estar. Cheguei a xingar o mundo. Um tanto derrotado. Coragem! Coragem! Fiz-me este apelo. Fortaleci-me. Agigantei-me. Consegui rever Galileu, Giordano Bruno, Marx, Gramsci… Refiz-me de um pesadelo. E bradei: abaixo o medievo-fascismo! Dia seguinte, lá estava eu – na Rua da Democracia – em voz alta: “Abaixo o golpe de 2016!”

Wagner Assunção