Archive for maio \30\UTC 2012

NA ARGENTINA, A PRESIDENTE CRISTINA NOMEOU MARTÍN FRESNEDA PARA A SECRETARIA DOS DIREITOS HUMANOS

30/05/2012

Martín Fresneda assumiu o cargo de Secretário dos Direitos Humanos. Filho de desaparecidos, o novo titular da Secretaria, quando criança, junto com seu irmão, foi testemunha do sequestro de seus pais por parte de agentes da ditadura, durante a chamada Noite das Gravatas. É advogado e, na província de Córdoba, onde se estabeleceu, foi advogado de acusação em vários processos sobre crimes cometidos pelo terrorismo de Estado.

A presidenta Cristina Kirchner o colocou em tal função em substituição ao falecido Eduardo Luís Duhald. O novo secretário já era integrante da administração kirchnerista na sua província, onde estava a serviço da ANSES local. Nas eleições do ano passado, fora membro do grupo de jovens que participavam das lutas de deputados da Frente para a Vitória. No seu caso, do mais conhecido de Córdoba, o grupo juvenil, La Jauretche. Seu nome ocupou o quinto lugar na lista dos legisladores nacionais da FPV.

Fresneda foi um dos fundadores do coletivo H.I.J.O.S. em Córdoba, e vem de uma história política que em sua origem não teve muito a ver com o peronismo, mas sim com os movimentos e organizações sociais dos anos 90. Hoje, tem 37 anos de idade. Estava fazendo o curso secundário em Catamarca, quando mataram Maria Sólida Morales, que tinha sua idade. Assim, realizou suas primeiras ações de militância nas marchas do silêncio. Ao terminar o colégio, mudou-se para Córdoba, para estudar Direito. Na Universidade se juntou à coordenação anti-imperialista Unidos. Depois, participou da Universidade Trashumante, uma experiência de inspiração zapatista que, durante a crise de 2001, percorreu o país com um coletivo (ônibus), realizando educação popular.

Fresneda já havia participado da criação da H.I.J.O.S., em Córdoba, quando foram derrotadas as leis de Obediência Devida e Ponto Final. Como advogado, atuou em processos sobre crimes de lesa-humanidade. Foi advogado de acusação nos primeiros processos que foram abertos na província e naqueles em que foram condenados Luciano Benjamín Menéndez e Jorge Videla. Foi aí que passou a organizar-se junto ao kirchnerismo, após conhecer Nestor Kirchner, quando solicitou a este presidente equipes a serem usadas no reconhecimento de restos mortais de desaparecidos. No ano passado, em Mar del Plata, veio a chance de depor na Justiça sobre o desaparecimento de seus pais. Tomás Fresneda e sua mulher, Maria de las Mercedes Argañaraz, foram sequestrados em junho de 1977, durante A Noite das Gravatas, em ações nas quais os agentes da ditadura eliminaram um grupo de advogados trabalhistas de Mar del Plata. Tomás tinha militado na Juventude Peronista, porém, ao se tornar representante de trabalhadores e comissões sindicais, passou a ser visto como um incômodo para a ditadura.

Os Fresnedas tinham dois filhos, Ramiro e Martín. Maria de las Mercedes esperava o terceiro. No momento do sequestro, estava no quinto mês de gravidez. As crianças, que tinham respectivamente 4 e 2 anos, presenciaram todas as operações. Tiraram-nas de casa, junto com a sua mãe e, como na realidade a quem queriam era o pai, levaram todos a uma instituição jurídica, onde Fresneda se apresentou, desarmado, com a certeza de que sua família estava detida.

Através do testemunho de sobreviventes, anos mais tarde se tomou conhecimento de que o casal foi levado a Cueva, centro clandestino de detenção, que funcionava na Base Aérea de Mar del Plata. O filho de Maria das Mercedes ainda não foi devolvido.

As crianças ficaram com os avós e depois criadas por uma tia, em Catamarca. Os dois estudaram Direito.

Recentemente, foram convidados a depor como testemunhas de processo, em andamento em Mar del Plata, pelo desaparecimento, entre outros, de seus pais, em que estão imputados 16 policiais e militares que atuaram nos centros clandestinos de Mar del Plata e Necoche. Ramiro, o mais velho, disse que nunca se esquece da imagem de sua mãe, agarrando-se a uma porta para que não a levassem. Martín, que tinha 2 anos e meio, fez um relato segundo a reconstituição que se conseguiu fazer nos anos seguintes.

A gestão de Eduardo Luís Duhalde frente à Secretaria dos Direitos Humanos teve como ponto central o apoio ao desenvolvimento de ações judiciais contra os repressores. A Secretaria conseguiu, com isso, preparar-se para se apresentar como parte acusadora nos processos, elemento de grande importância para que, face à débil organização local, os processos não ficassem parados. Agora, com a continuidade dessa luta, a intenção será reforçar as políticas de identificação e restituição dos restos dos desaparecidos, como uma maneira de, aos poucos, completar os objetivos de reparação possível dos crimes da ditadura.

A nomeação do sucessor de Duhalde demorou mais de um mês. Após aceitar a indicação, Fresneda manteve a discrição e se recusou a fazer declaração pública.

Laura Vales

Anúncios

PARAMILITAR REVELA PLANOS MILITARES E POLÍTICOS PARA DERRUBAR CHÁVEZ

21/05/2012

O ex-chefe das Autodefesas Unidas da Colômbia (paramilitares), Salvatore Mancuso, afirmou, no dia 11 de maio passado, que militares e políticos venezuelanos buscaram ajuda dos paramilitares colombianos para organizarem na Venezuela grupos armados, a fim de derrubarem Hugo Chávez, através de um golpe de estado. “Em algum momento, alguns generais e políticos dessa nação irmã entraram em contato com as Autodefesas, diretamente com o comandante Carlos Castaño”. Porém, não tinham intenção de matá-lo (…). O que queriam era que ele também participasse do golpe contra Chávez”, ressaltou.

Durante entrevista em prisão dos Estados Unidos, para onde foi extraditado pela justiça colombiana em 2008, Mancuso disse ainda que apoiou e financiou a reeleição do ex-presidente Álvaro Uribe, em 2006, por meio de um comandante paramilitar apelidado de “Andrés”. “Eu apoiei a reeleição do presidente Uribe, tanto com recursos que entreguei em comunidades, como com dinheiro.”, disse Mancuso a um meio de comunicação colombiano, em presídio norte-americano, após sua extradição para os EUA. Ressaltou que a reeleição de Uribe forneceu dinheiro para que o comandante “Andrés” alugasse ônibus, fizesse propaganda, desse alimentação e transporte a pessoas que votassem no ex-presidente da Colômbia. Informou que Uribe se vinculou a uma campanha para desmoralizar a Corte Suprema de Justiça, para eliminá-la e criar outras instituições públicas que atuassem segundo seus interesses, “para isso, pediu nossa ajuda para obter provas que relacionassem magistrados de tal órgão com narcotraficantes”. Afirmou que, durante sua administração, Álvaro Uribe prometeu não extraditá-lo. Contudo, depois de não ter cumprido a promessa e enviá-lo aos Estados Unidos, buscou condená-lo, porque a verdade o incomoda, não quer que seja revelada. “Não deseja nossa verdade, por isso, pede aos Estados Unidos que sejamos condenados a penas superiores às que devemos ter na Colômbia”, destacou.

O ex-chefe paramilitar, que já reconheceu sua participação em pelo menos 300 assassinatos, ressaltou que, apesar de sua confissão, não pode entregar provas a uma autoridade judicial, “porquanto não existem garantias nem segurança jurídica” para seus familiares e pessoas que trabalham em sua defesa.

Ademais, disse que muitas empresas colombianas e multinacionais contribuíram para o crescimento e expansão das Autodefesas Unidas da Colômbia. Neste sentido, detalhou que empresas como a Chiquita Brands pagavam três centavos de dólar para cada caixa de bananas exportadas, enquanto que a Postobón, uma empresa de bebidas, pagava uma espécie de imposto para manter os paramilitares.

Autoridades da nação sul-americana disseram que Mancuso dirigiu os grupos paramilitares da região da selva e petroleira de Catatumbo, a noroeste da Colômbia, onde mais de 3 mil pessoas foram assassinadas, entre 1999 e 2004, segundo dados de uma organização não-governamental.