A CLASSE MÉDIA DO DIA 15

Em atentado à democracia, no dia 15 de março, principalmente na Avenida Paulista, lá estavam eles e elas. Sua ideologia: um emaranhamento de preconceitos de todos os tipos, como racismo; homofobia; aversão às lutas pelos direitos das mulheres e a pobres; ódio dos movimentos sociais organizados da classe trabalhadora; nordestinofobia etc. Tudo isso, como expressão de um medo ideológico-paranoico de que a sociedade caminhe para se tornar mais justa, mais igual, diminuindo a distância social e econômica entre as pessoas.

Era a classe média, mas não toda ela. Era parte dela (maioria?). A que sai em defesa de um novo golpe militar; de golpe civil-parlamentar, apelidado de impeachment, em desrespeito criminoso à Constituição e ao direito soberano do povo de fazer sua escolha político-eleitoral; que finge estar contra a corrupção, quando na verdade está a seu favor, porque apoia os partidos dos grupos econômicos, que a praticam noite e dia.

É a versão atual, herdeira da velha classe média que tanto agiu contra a democracia, apoiada, mobilizada  por uma grande mídia a serviço de golpes de estado, como a que atuou contra Getúlio, levando-o à morte; que apoiou o movimento golpista de 61, na tentativa de inviabilizar a posse de Jango Goulart, substituto constitucional do presidente renunciante, Jânio Quadros; que foi às ruas em apoio ao golpe de estado, então em andamento, concluído em 31 de março de 64; que durante 21 anos apoiou a ditadura e seus crimes de torturas e assassinatos de milhares de pessoas que lutavam pela conquista da democracia.

Entretanto – esclareça-se – felizmente, não foi, nem é toda a classe média que age contra a democracia, que é contra o progresso social. Parte dela (minoria? maioria?) tem agido em sentido oposto. Exemplo desta verdade foi a militância estudantil, de intelectuais, de funcionários públicos e de outros setores médios da sociedade, em todas as lutas em defesa da democracia e do avanço político do povo.

Não foram poucos os integrantes dos setores progressistas, democratas e humanistas da classe média que deram a sua própria vida na luta contra a ditadura, desde o surgimento desta até a campanha pelas Diretas Já.

Hoje, estes setores fazem parte das forças democráticas que se opõem a atentados à democracia, como o do dia 15, ao lado de todos os que tudo fazem para evitar retrocesso político em nosso país.

Os golpistas de ontem e de hoje, que apoiaram a ditadura civil-militar, como os jornais O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e, principalmente, a Rede Globo fazem de tudo para dividir as forças progressistas e democráticas. Não se deve subestimar estes velhos instrumentos das forças antidemocráticas e dos grupos econômicos, mormente estrangeiros.

Alberto Souza

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