JOÃO DÓRIA, O FERNANDO COLLOR DE SÃO PAULO

Num mundo de ingenuidade política, de sentimentos mágicos e místicos, de adoração ao desconhecido – por desconhecimento e medo do conhecível, da realidade sem fantasias – almas estranhas costumam se colocar como salvadoras do mundo, e milhões de criaturas acreditam nisso. Foi por aí que apareceu Fernando Collor, construído no laboratório ideológico da Rede Globo e outros órgãos da grande mídia, principais instrumentos do poder econômico nacional e, mormente, internacional.

Desconhecido de quase todo o povo, pouca gente tinha condições de atacar, de desmascarar, o enganador de Alagoas. O que a Globo e os grandes jornais diziam sobre seu alienígena, seu ET de paletó, “salvador do país”, passou a ser verdade incontestável na cabeça da maioria de tanta gente despolitizada. O desconhecido quase vira um deus, sem objetivos profanos, conseguindo, com isso, esconder tudo o que, de fato, desejava, seus objetivos. Só com destruição e mais destruição de pequenas economias, com dinheiro da poupança, de tanta gente pobre ou de poucos recursos, indo para o beleléu, o povo passou a perceber que o meninão de Alagoas não era um enviado do Céu. Veio a reação popular e o anjo salvador engravatado retornou a seu local de enganação original.

Hoje, aparecem novos Collors, produtos dos mesmos laboratórios de sempre. O principal deles é o de São Paulo, João Dória. Dono de grande fortuna, serviçal de seus próprios interesses e de outros capitalistas –comprometido, de fato, com a sua classe social – Dória se candidatou a ser mais um Collor, e deu certo. Como Collor, surgiu como o desconhecido, procurando passar a ideia de que veio de um mundo puro, contra a política, descaradamente, fazendo política, dizendo-se contra ela. Como Collor, por não haver tempo de ser conhecido, ganhou a ingenuidade de muita gente, dos que acham, inconscientemente, que está no desconhecido algo um tanto, até mesmo sobrenatural, que pode salvá-los.

E o candidato a alheador da Prefeitura de São Paulo foi eleito, dizendo-se comprometido em mercadejar inclusive vias públicas, como ciclovias, por exemplo, no seu afã de deixar o Município sem patrimônio, numa rapina para beneficiar o capital privado.

Eleito por conseguir ser uma farsa não revelada, Dória não logrará evitar, contudo, que se torne conhecido. O que já começa a acontecer. Passado o efeito da anestesia coletiva, deparando-me com um dos que votaram no Collor paulista, disse-me ele que não sabia que seu pretendido eleitoral tivesse o propósito de entregar patrimônios municipais, do povo, a um bando de capitalistas. Não sabia que seu escolhido é um privatista por princípio.

INFELIZMENTE, O POVO TEM DE LUTAR SEMPRE CONTRA TRAGÉDIAS APÓS TRAGÉDIAS.

AINDA BEM !   PIOR SERIA A FUGA DA REALIDADE.  SERIA A ETERNIDADE DO TRÁGICO.

Marcelo Fonseca

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