CORRUPÇÃO : AS DUAS PROPINAS

Existem dois tipos de propina: a legalizada, vista por quem a usa, como limpa, nada imoral, quase um ser puro; e a ilegal, toda feia, imoral, quase diabólica. É assim que funciona a corrupção eleitoral. Há os que se corrompem e corrompem dentro da lei, e os que se corrompem e corrompem fora da lei. E ainda há os que recorrem aos dois caminhos. Agora, com a Lava Jato aparece uma questão, que é provar, ou não, se houve propina dentro da lei ou fora dela, com um elemento curioso, cômico: o acusado deve provar que nunca tomou café com algum corrupto da corrupção ilegal, que nunca esteve com ele no mesmo hotel, que nunca lhe apertou a mão etc. O certo é que a corrupção eleitoral dita a regra do jogo. Candidaturas em períodos de eleições funcionam como os principais produtos de mercado. O financiamento privado de campanha é a forma de os capitalistas comprarem candidatos. Poucos candidatos e partidos fogem a esta regra. Quase 400 parlamentares eleitos foram propinados, legal ou ilegalmente, por empresários. Todos financiados para estarem a serviço dos donos de fortunas de todas as espécies. Logo, o Congresso, na sua quase totalidade, é um conjunto de propinados. E os candidatos à presidência, por seu lado, participaram desta festa, recebendo seus milhões dos mesmos financiadores. Uma boa novidade: o PT reconhece seu pecado. Coloca-se contra a manutenção do financiamento privado de campanha e já diz que não usará mais este meio, seguindo o PSOL, que há tempo vem denunciando esta imoralidade. Cresce a mobilização popular para que se ponha fim a esta ação empresarial. Quem, de fato, é contra a corrupção apoia esta campanha. “Os rebeldes, xingadores, dos dias 15 de março e 12 de abril, do seu lado, que tanto falaram de corrupção nas suas marchas, não traziam em nenhuma de suas faixas dizeres como “Fora a Corrupção, Legalizada ou não”, “Fora a Corrupção Eleitoral”, “Fora o Financiamento Privado de Campanha”. Na verdade, porque querem preservar os partidos e candidatos em quem votaram. Na verdade, não são contra a corrupção: usam-na para atingir outros objetivos.

Marcelo Fonseca

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