DILMA : UM PASSO À DIREITA

Aconteceram as eleições e, com elas, uma ameaça: os setores do país, mais conservadores, antidemocráticos, de direita, avançaram.

No congresso, acrescentaram aos que já tinham um bom número de novos parlamentares de seu campo político-ideológico, em detrimento do não-retorno de muitos da área progressista.

Elegeram um presidente para a Câmara de Deputados, considerado líder da direita do PMDB, que poderá reforçar seu trabalho de oposição ao governo. E, por fim, conseguiram arrancar da própria presidente o acolhimento, em postos-chave de seu governo, de dois dos seus quadros político-ideológicos: Joaquim Levi, ardente neoliberal, representante do capital financeiro, e Kátia de Abreu, representante do Agronegócio e dos latifundiários como um todo.

De cara, Joaquim Levi, deixou claro para que veio: coerente com os seus princípios, soltou umas das bombas do chamado ajuste fiscal, exatamente contra a classe trabalhadora, como faz qualquer representante da sua escola.

Quanto a Kátia, o MST e outros movimentos em luta pela reforma agrária sabem muito bem o que esperam dela.

Mas, uma pergunta é sempre feita, sob uma certa perplexidade de muitos: o que levou Dilma a dar este passo na direção das forças de direita? Concordo com aqueles que dizem que ela, sentindo-se enfraquecida politicamente, face a avanços das áreas direitistas, inclusive dentro de sua própria base de apoio no Congresso, decidiu acenar positivamente para elas e para o seu feiticeiro supremo, o Mercado.

Outra pergunta: qual está sendo o resultado desta opção? Bom, está claro que a direita acha que tal aceno aos seus interesses ainda é muito pouco e quer mais, chantageando golpisticamente a presidente com ameaça de impeachment.

Assim, Dilma não fica bem com a direita que, ao contrário do que ela esperava, não abre mão de conspirar contra o seu governo. E fica mal com os movimentos sociais que tiveram papel decisivo na sua reeleição.

Desta forma, com este seu passo para a direita, Dilma dá oxigênio às forças de direita e deixa perplexas as forças democráticas e de esquerda, que ficam com dois desafios: derrotar as MPs antipopulares do governo e, ao mesmo tempo, reverter o avanço direitista que, em constantes ações golpistas, atentam contra a democracia.

Do sucesso destes desafios dependem as forças de esquerda, progressistas, para a construção de um projeto político próprio, rumo à eleição de um governo popular.

Antônio de Freitas

 

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