A CORRUPÇÃO E O CAPITALISMO

Quem não é contra o capitalismo, consciente ou inconscientemente, não é contra a corrupção. Não existe capitalismo sem corrupção, institucionalizada ou não. Capitalismo é sinônimo de exploração e roubo. As suas primeiras vítimas estão na produção de mercadorias, produzindo valores, dos quais recebem apenas uma pequena parte, em forma de salário, indo o restante para quem as explora. Mas, a coisa não para aí, é claro. Destaquem-se os maiores rapinantes da atualidade, os banqueiros, praticantes de agiotagem, legalizada ou não, sanguessugas de quase toda a humanidade que, para um PIB mundial de mais ou menos 60 trilhões de dólares, especulam com um montante fantasmagórico de, aproximadamente, 500 trilhões. São os vampiros globais. Só o pobre povo brasileiro é obrigado a verter seu sangue numa quantidade de 300 bilhões de reais, só com os juros da dívida, anualmente.

Além dessa rapinagem maior, há ainda outras, como a especulação fundiária e a chamada evasão fiscal para os tais paraísos fiscais, de quantia incalculável.

A corrupção, assim, é apenas um dos tipos de roubo integrantes do sistema capitalista que, quando não se fundamenta na imoralidade legalizada, é usada por cínicos e hipócritas para mascarar um corpo doente pela sua própria natureza. Um pensador, defensor do capitalismo, dizia, num de seus trabalhos, que a corrupção é um estímulo positivo para empreendedores, ou seja, sem corromper, o empresário fica sem um dos seus bons alimentos.

Certa vez, num debate, eu dizia a um parlamentar, defensor ideológico do capitalismo, que – ao praticar corrupção – um partido ideologicamente burguês deve, evidentemente, ser condenado pelo seu ato imoral, mas, por incrível que pareça, não pode ser acusado de incoerência, pois – quem defende um sistema fundamentado no roubo, considerado indispensável para o seu próprio funcionamento – ao roubar, age inclusive por princípio.

Enfim, quem defende um mundo fundamentado no enriquecimento de poucos às custas da quase totalidade dos seres humanos, na prática, não é contra a corrupção, praticando-a ou não. Uma determinada pessoa pode ser uma defensora do capitalismo e ser honesta, bem intencionada e, até mesmo, indignada com as injustiças; contudo, inconscientemente, ao mesmo tempo em que ataca o roubo, sem perceber, defende a sua continuidade.

E os que lutam contra o capitalismo, pelo socialismo, como devem agir em relação à corrupção?

Ora, enquanto um defensor convicto do capitalismo – ao praticar a corrupção – não nega, de fato, seus próprios princípios ideológicos, sendo sua imoralidade, até mesmo, um caso de coerência, esta mesma imoralidade – ao ser praticada por quem luta por uma sociedade fundamentada na negação do enriquecimento de uma minoria às custas da exploração e roubo da maioria – é considerada um ato de traição a princípios. O defensor do capitalismo, ao praticar a corrupção ou outro tipo de roubo, não se nega, não se destrói, já que não estaria agindo contra princípios próprios. Ao contrário, se confirma, se sustenta. Diferentemente acontece com quem luta contra a sociedade capitalista: seu envolvimento com qualquer tipo de roubo é a sua morte ideológica, moral, passando a ser tudo o que se possa imaginar, menos um socialista, porque, este, por princípio, não pode roubar.

Agora, não nos esqueçamos de que é incalculável a quantidade de pessoas, no mundo inteiro, que acham ser possível moralizar o capitalismo, fazê-lo existir, continuar, sem roubos. Uma quantidade ilimitada de pessoas sérias, de boa fé, mas, de clara ingenuidade.

Marcelo Fonseca

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