ELEIÇÕES BRASILEIRAS : VOLTA AO PASSADO ?

O segundo turno das eleições presidenciais no Brasil se apresenta como uma clara batalha política. Baseando-se nos dados de hoje, seria uma irresponsabilidade dar por garantida a vitória de qualquer uma das candidaturas.

De um lado, a ex-guerrilheira e atual presidente, Dilma Rousseff, candidata do PT, de conduta pessoal exemplar. Tem sido, sempre ao lado de Lula – agora, com o cargo executivo máximo – nos últimos anos, protagonista de políticas que tiraram da pobreza 40 milhões de brasileiros; concedeu bolsas de estudos a centenas de milhares de jovens de baixa renda; propiciou créditos para casas populares como jamais tinha acontecido no país; realizou a construção de milhares de quilômetros de estradas e obras de infraestrutura . Além de tudo isso, contratou milhares de médicos cubanos e de outros países, para assistência a milhões de pessoas em regiões muito distantes dos grandes centros urbanos e carentes.

Capítulo à parte, merece atenção a sua política externa independente, soberana, a favor da unidade e integração da América Latina e Caribe, solidária com a Venezuela chavista, com Cuba e com todos os processos antineoliberais do continente a favor da paz mundial. Com Lula e Dilma, o Brasil saiu da condição de aliado dos EUA para uma política de não-obediência a esta potência, tornando-se a sétima economia do mundo, com importante liderança não só na América Latina, mas também mundialmente, o que o colocou como membro de destaque dos BRICs, cuja existência tem debilitado a hegemonia de Washington.

Contra Dilma, Aécio Neves, candidato neoliberal do PSDB, preferido de Wall Street, um playboy, mas uma raposa política provinda de uma dinastia da política tradicional brasileira, profundamente ligado ao núcleo duro neoliberal que deseja o predomínio do capital financeiro e do agronegócio exportador, disposto a levar tal política às últimas consequências, que odeia as políticas sociais do PT e que quer distanciamento da Argentina e dos demais países da América Latina, comprometido com a condição de aliado dos Estados Unidos e União Europeia. Também comprometido com o Tratado de Livre Comércio (TLC).

Sobre ele e a candidata Marina da Silva (terceira colocada na votação), Fernando Henrique Cardoso, o patriarca do neoliberalismo, disse que qualquer um dos dois garantiria ao Brasil o retorno da política de livre mercado, em aliança com os EUA.

Aécio foi governador de Minas Gerais durante dois períodos. Neste Estado, tem como seus inimigos principais os professores, devido aos danos que causou à Educação, reduzindo o orçamento desta área.

Em Minas, o candidato a governador, do PSDB, sofreu fragorosa derrota, no primeiro turno, para o candidato do PT.

Dilma teve mais votos em Minas Gerais que Aécio, apesar de ser este Estado feudo político dele e de sua família.

Face a tal quadro político, vale perguntar como foi possível Dilma já não ter sido reeleita no primeiro turno, com uma obra de governo tão favorável aos setores populares e aos interesses do Brasil na América Latina. A resposta é por demais complexa, mas os resultados da votação no primeiro turno são significativos. Apesar da vitória de Dilma no primeiro turno, ela teve a menor votação de um candidato do PT à presidência da República até o momento. Sua vantagem sobre Aécio foi de mais de 8 milhões de votos, porém, somados os votos dele aos de Marina, os dois ficam com 13 milhões de votos acima dos da candidata petista.

Embora nem todos os eleitores de Marina devam ir para Aécio no segundo turno, é certo que os mais de direita estarão com ele. Uma parte poderá optar por Dilma, se ela conseguir atraí-los.

País que apoia, praticamente de maneira aberta, o candidato do PSDB. A inexistência de meios de comunicação do PT, ou públicos – uma péssima política que Emir Sader considera “o mais grave erro do PT” – é determinante para que, através de mentiras e calúnias, a máfia midiática consiga criar um consenso desfavorável ao petismo em certos setores da população, impossível de ser desmontado em tão pouco tempo.

O reconhecido líder petista, Walter Pomar, acha que é necessário anunciar já as novas medidas de benefício à população a serem implementadas num novo governo do PT, entre elas, a convocação de uma Assembleia Constituinte que permita uma profunda democratização do Estado brasileiro.

Minha intuição me diz que Dilma será reeleita, para fazer um melhor governo, como já tem dito.

Antônio de Freitas

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