ELEIÇÕES

Todo cuidado é pouco. No processo eleitoral vigente, cada cidadão é chamado apenas para votar. Não tem o direito de apresentar um projeto, resultante de uma discussão coletiva, ao candidato que se propõe a representá-lo junto a determinado órgão público de decisão, executivo ou legislativo. Como alguém só representa a alguém quando há acordo entre ambos, em nome das pretensões, interesses, do representado, o que se dá é que o cidadão vota, mas não será representado, caso seu candidato seja eleito. Aliás, o candidato não é seu, porque não foi chamado a escolhê-lo; proveio de uma decisão de partido, com critérios estranhos ao votante. Aí, em geral, o eleitor vota no desconhecido, com projetos e intenções desconhecidas. E, como os candidatos e partidos não debatem com a população qualquer projeto de iniciativa popular organizada e nem mesmo os seus projetos, o que sobra para o votante é apenas tomar uma decisão baseada em opiniões e palpites.

Mas, o eleito, face a esta realidade, acaba não representando a ninguém? Não, não é isso que acontece. Não existe candidato eleito que não represente alguém durante o seu mandato. Os votos que recebe, em linhas gerais, provêm de pessoas que não o conhecem, que não conhecem seus reais propósitos – que ficam ocultos – porém existe um tipo de gente que o conhece muito bem, que, antecipadamente, já sabe como agirá no exercício do mandato: é o empresário, que financiou a sua candidatura, que tem certeza de que, por isso, apossa-se mais do mandato de seu financiado do que ele próprio, determinando suas ações principais no parlamento ou governo. Isso quer dizer que os mandatos têm donos: os financiadores de campanha. É o resultado de uma democracia sem povo, que apenas vota, mas não decide. Por causa disso, privatizada. Uma democracia de mercado, de acordo com os interesses do conjunto de capitalistas.

MUDANÇA

Contudo, aparece a pergunta: não é possível uma outra forma de fazer política? Bom, é necessário que não nos esqueçamos do óbvio. Vivemos numa sociedade de classes: logo, de interesses fundamentais diferentes, antagônicos. Assim sendo, se a forma predominante de fazer política é a que convém a uma minoria que, para manter-se no poder, de tudo faz para limitar e controlar o processo político e a própria democracia –  para a maior parte da população, a classe trabalhadora, esta forma deve ser superada.

É certo que a maioria dos trabalhadores ainda não tem esta consciência; todavia, por outro lado, seria um erro achar que não existe no seio da classe trabalhadora esta discussão em andamento. Uma iniciativa importante que ora acontece no país nesta direção é a campanha que movimentos populares desenvolvem neste momento: o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva, cuja coleta de votos se dará de 1 a 7 de setembro próximo em todo o Brasil. É um passo! Um outro dado importante é a existência de candidatura de esquerda que, inclusive, defende a construção do poder popular, democracia plena, com o máximo de protagonismo do povo.

Alberto Souza

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