LEILÃO DO CAMPO DE LIBRA: UM CRIME DE LESA-PÁTRIA (Alberto Souza)

Desde quando era ministra de Minas e Energia, Dilma já era entreguista. De forma determinada, defendia os leilões do petróleo, favorável à sua entrega a grupos privados, principalmente aos internacionais. Fala-se que, se no governo Lula, ocorreram 6 leilões, isso se deu, principalmente, devido à sua influência.

Contudo, para a surpresa de muitos, ela se comprometeu em não privatizar o petróleo do Pré-Sal, num debate com Serra na campanha para a Presidência da República, em 2010. Crentes nas suas palavras, milhões de brasileiros nunca imaginaram – ainda muito recentemente – que ela desrespeitasse tal compromisso, apesar de já ter manifestado todo o seu propósito entreguista, ao realizar o 11.º Leilão de áreas fora do Pré-Sal, usando, para isso, a Lei da Traição, a 9478/97, de FHC.

Aqueles que acreditaram nas palavras de Dilma, de período eleitoral, ficaram deveras perplexos, quando seu governo anunciou o primeiro leilão da área do Pré-Sal, de um campo de valor calculado em trilhões de reais – o maior campo petrolífero descoberto ultimamente no mundo –, com o objetivo claro de servir aos interesses das multinacionais do petróleo; com a meta explícita de buscar recursos para a receita dos superávits primários para gastar com a dívida pública, em plena obediência ao capital financeiro.

Para isso, obrigou a Petrobrás, que poderia ser diretamente contratada para a produção do petróleo de Libra, de acordo com a própria Lei de Partilha (lei 12351/10) a desembolsar, num momento de dificuldades financeiras desta empresa, a importância de 6 bilhões de reais, para participar do leilão, quando se sabe que foi exatamente ela que, não só descobriu as reservas petrolíferas do Campo de Libra, como também do Pré-Sal como um todo, ao longo de 30 anos de pesquisas e de grandes gastos, sem que nenhuma empresa privada tenha contribuído com um mínimo de recursos para esta façanha.

Felizmente, este crime contra a soberania do nosso país não se deu sem resistência, sem protestos. Movimentos sociais e partidos de esquerda, de maneira unida, foram às ruas em manifestações contra a ação privatizante e entreguista do governo. A campanha contra mais um crime de lesa-pátria ganhou as ruas bem antes de este acontecer. Não faltavam palavras de ordem e brados contra a entrega do Campo de Libra, não só nas ruas e praças, mas também em sindicatos, escolas e frente ao Congresso Nacional, na tentativa de achar senadores e deputados capazes de se inspirarem em grande quantidade de parlamentares que se colocaram a serviço da histórica e inesquecível campanha “O Petróleo é Nosso”, dos anos 40 e início dos anos 50, para que o Brasil fosse dono de seu petróleo. Lamentavelmente, no Senado, só dois ou três senadores, principalmente Requião, se opuseram à decisão entreguista do governo; na Câmara, de maneira muito tímida, apenas alguns deputados.

Nas ruas, também não faltaram palavras de repúdio ao serviço de espionagem do imperialismo ianque contra a Petrobrás, considerando-o uma clara agressão à soberania do país. Mais uma razão – dizia-se – para a presidente suspender o ato privatizante, numa demonstração de preocupação com a tentativa estrangeira, de uma potência, de conhecer segredos e objetivos da Petrobrás.

Mas, Dilma estava decidida a ser fiel, não ao povo brasileiro, mas a interesses externos, aos grupos econômicos da área petrolífera. E, tão comprometida estava com as grandes petroleiras internacionais, que não vacilou em convocar o exército e outros órgãos das Forças Armadas para reprimir os patriotas que se dispunham a fazer manifestações frente ao hotel, na Barra da Tijuca, em que seria cometido o crime contra o Brasil e seu povo, muito distante do centro do Rio, para evitar que multidões ocupassem praças e ruas centrais contra um dos maiores atos de traição da história brasileira. Tropas, com a função constitucional de defender o país contra inimigos externos, eram designadas para agir contra brasileiros; tudo isso para que o governo demonstrasse mais uma vez, ao poder econômico internacional e às potências que estão por trás dele, que é capaz de tudo fazer, na lógica repressiva, para sustentar seu compromisso com o grande capital internacional.

Aconteceu o esperado já na véspera do leilão. A repressão entreguista se deu. Bombas de gás lacrimogêneo, de gás de pimenta e tiros de borracha não faltaram contra os que se aproximavam do hotel da traição para demonstrarem a sua indignação. Bombas que, na realidade, não eram lançadas apenas contra os patriotas em ação naquele triste momento, mas também contra a memória de milhões de patriotas que, heroicamente, com derramamento de sangue, derrotaram os grandes trustes do petróleo e os dois imperialismos (o inglês e o norte-americano) que os sustentavam, em 1953 – fazendo surgir a Petrobrás. Bombas lançadas por comandantes das Forças Armadas contra a memória de militares patriotas que deram o máximo de si na campanha “O Petróleo é Nosso”, em meados do século passado, como os generais, Felicíssimo Cardoso, Carnaúba e Leônidas Cardoso (este, traído na sua memória pelo seu próprio filho, FHC, que tudo fez para privatizar a Petrobrás e autor da Lei da Traição, 9478/97, quebrando o monopólio estatal do petróleo, destruindo a mais importante conquista do povo brasileiro dos últimos tempos). Bombas em afronta à memória de marinheiros, de sargentos e de outros tantos patriotas da área militar que não vacilaram em nenhum momento em se sacrificarem pelo amor ao seu país e ao seu povo.

Não se conseguiu derrotar a ação entreguista de Dilma e seu séquito. E aí, entreguistas de todos os partidos, de todos os setores de direita, comemoraram a sua vitória. Para boa parte deles, Dilma aparece como uma espécie de musa brasileira do grande capital e, se não chega a tirar Fernando Henrique da posição de o mais destacado do panteão dos privatistas, dos entreguistas, ao menos, se coloca como vice-campeã das privatizações, capaz de jogar seu passado de luta na própria lata de lixo e, ao mesmo tempo, alimentar-se dele, para atrair setores do povo que ainda se consideram de esquerda.

Dia 21 de outubro de 2013, mais um dia de traição ao nosso povo e à sua história. Não obstante, duas vitórias das lutas patrióticas, nesse momento de defesa da soberania do país, aconteceram. A primeira, o surgimento da compreensão de todos os movimentos em ação, como o Comitê Estadual de Defesa do Petróleo pela Soberania Nacional, de São Paulo, já antes do ato privatizante, de que esta luta de defesa do patrimônio do país, mormente de áreas estratégicas, deve ser permanente, que, portanto, a pior derrota seria a desmobilização das forças patrióticas em ação, frente à escalada privatizante, entreguista, ora em evidência. Assim, marcaram encontros, não só para a avaliação das lutas ocorridas contra o leilão do Campo de Libra, como também para determinarem novas ações. A segunda, é que as forças anti-entreguistas foram capazes de deixar de lado divergências entre si, unindo-se, como há muito não se dá, em prol da defesa da soberania do Brasil e do nosso povo. E dessa união dependerá todo o sucesso das lutas patrióticas por um novo Brasil, plenamente soberano, com um povo dono de suas riquezas.

Alberto Souza

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