LEILÃO DO CAMPO DE LIBRA, UM CRIME DE LESA-PÁTRIA

Atendendo a ambições dos grupos econômicos, principalmente do capital privado da área de exploração de petróleo, o governo marcou para o dia 21 de outubro o leilão do Campo de Libra, uma área com reserva petrolífera estimada em 15 bilhões de barris. É o primeiro leilão decorrente da chamada Lei de Partilha, marco regulatório da exploração do Pré-Sal.

Trata-se de uma reserva descoberta pela Petrobrás, que lhe custou muito dinheiro, a qual poderia ser explorada por esta empresa, de acordo com a legislação vigente, se assim o governo desejasse.

Contudo, o governo tem outra preferência: arrecadar 15 bilhões de reais com os bônus de tal leilão, colocando-os à disposição dos superávits primários, para pagamento de juros da dívida, em obediência aos interesses de banqueiros, permitindo que toda essa reserva petrolífera vá para as mãos das petroleiras privadas estrangeiras, cujos lucros serão emitidos para seu país de origem, sem nenhuma vantagem para o povo brasileiro. E a Petrobrás, que tem garantidos apenas 30% de participação neste leilão, por lei, para isso, terá de desembolsar 4 bilhões e meio de reais, apesar de ter sido ela mesma que pesquisou e descobriu tal campo petrolífero. É um leilão contra a Petrobrás e o Brasil.

Calcula-se que, com o lucro em petróleo, a União receberá, no máximo 45%, quando em outros países, em média, o que fica para o Estado é cerca de 84 a 90%.

Felizmente, cresce a consciência patriótica de que entregar para grandes grupos privados a mais estratégica de todas as riquezas existentes no país é uma agressão à soberania nacional, é um crime de lesa-pátria. Manifestações de movimentos sociais, como organizações camponesas, entidades estudantis e centrais sindicais têm ido às ruas, exigindo que o governo suspenda este leilão, deixando claro que leilão é privatização.

Foi o que aconteceu, por exemplo, no dia 3 de outubro, em muitas cidades do país, quando a Petrobrás completou 60 anos de existência, momento em que se fez questão de lembrar que a conquista desta empresa, orgulho nacional, decorreu de lutas de milhões de brasileiros para que o país fosse dono de seu próprio petróleo, derrotando dois imperialismos, o norte-americano e o inglês, representados, respectivamente, pela Standard Oil e a Shell, que se apoiavam em entreguistas, traidores do Brasil e seu povo, na tentativa de se apoderarem do petróleo brasileiro.

Nesses protestos tem-se cobrado da presidenta Dilma seu compromisso de campanha para a presidência da República quando, em debate com Serra em rede de televisão, comprometeu-se a não privatizar o petróleo, acusando seu concorrente de estar comprometido com a privatização deste recurso.

Em São Paulo, para unir forças para esta luta em defesa da soberania nacional, foi criado o Comitê Estadual de Defesa do Petróleo e da Soberania Nacional, composto por diversos movimentos sociais, centrais sindicais e partidos, reunindo-se às terças-feiras na sede do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo, no Viaduto Nove de Julho, 160, 2º E.

Pedro Albuquerque

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