EQUADOR, ENTRE O PETRÓLEO E A POBREZA (Nestor Marin)

Frente a uma crise financeira, contar com reservas de petróleo seria uma bênção para qualquer país, porém, no Equador, a decisão do governo de explorar as jazidas do Yasuní provocou uma tormenta política.

“Querem uma consulta popular? Então, reúnam as 600 mil assinaturas e nos encontraremos nas urnas”, expressou o presidente Rafael Correa, referindo-se aos alardes de alguns setores que tem usado a bandeira ecologista para fazerem oposição ao seu governo.

De acordo com o presidente Correa, esses grupos querem passar para a opinião pública um discurso antiextrativista, com o objetivo de fazer a Revolução Cidadã fracassar.

Seria um suicídio renunciar ao uso dos recursos naturais na luta contra a pobreza, ressaltou o presidente, em alusão aos calculados 18 bilhões de dólares que chegariam aos cofres do Estado com a eventual extração do petróleo existente numa pequena porção da reserva natural da Amazônia.

A decisão de explorar as jazidas foi tomada depois que fracassou uma iniciativa, apresentada pelo Equador à comunidade internacional, no sentido de se deixar o petróleo no subsolo em troca de uma compensação financeira.

Entretanto, a oposição e algumas organizações ecologistas equatorianas têm-se juntado contra a proposta, apresentada pelo governo junto à Assembleia Nacional, de declarar de interesse nacional dois blocos petrolíferos da área do Yasuní.

O partido de Correa tem maioria no Parlamento, o que garantiria a aprovação da proposta, e isso deixaria a oposição com apenas uma opção: conseguir as 600 mil assinaturas, de acordo com a Constituição, para a convocação de uma consulta popular.

“Que ninguém se deixe enganar: o que desejam é retardar a exploração de petróleo, imaginando que um dia eles voltem ao poder, apropriando-se desta riqueza”, afirmou o presidente, que tem garantido que a exploração do Yasuní será feita com todas as garantias ambientais e ecológicas necessárias.

Correa lembrou que essa mesma oposição conseguiu apenas 3% dos votos nas últimas eleições presidenciais, quando ele foi reeleito com grande votação.

A empresa estatal Petroamazonas, com grande experiência na zona, seria a encarregada de extrair o petróleo e, segundo seu gerente-geral (presidente), Oswaldo Madrid, o processo não implicará na construção de estradas, nem gerará resíduos nocivos ao meio-ambiente.

O presidente Correa fez questão de ressaltar, de maneira clara, a impossibilidade de ocorrer uma contaminação, como a provocada pela antiga transnacional Texaco, hoje Chevron, que se nega a pagar uma indenização devida a trinta mil pessoas afetadas pela sua má prática de extração na Amazônia.

Além do mais, de acordo com nova uma lei, de iniciativa de seu governo, 12% dos recursos provenientes da atividade petroleira serão investidos em favor das comunidades vizinhas à área de exploração, na sua maioria, indígenas.

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