PERU – ESTADO DE EXCEÇÃO NA CAJAMACA, DEVIDO A PROTESTO CONTRA O PROJETO CONGA DE EXPLORAÇÃO MINERAL

O governo do Peru decretou estado de exceção em três províncias da região de Cajamaca, devido a fortes protestos decorrentes da oposição à exploração de cobre e ouro de “Conga”. Na terça-feira passada (3/7), ao menos três pessoas morreram e 20 ficaram feridas em choques entre policiais e manifestantes na localidade de Calendín, ao noroeste do país. Existem 15 pessoas detidas; se desconhecem ainda as acusações existentes contra elas.

Os distúrbios começaram com o ataque ao Conselho Municipal e à sede do Ministério Público, por parte de uns 40 membros da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Peru (CNTP), com a queimação de documentos e móveis. A polícia desalojou os locais com tiros para o ar e gás lacrimogêneo, a que os manifestantes respondiam com o lançamento de fogos de artifício.

Segundo explicação do líder de Terra e Liberdade, Marco Arana, os moradores decidiram tomar o município, porque o prefeito de Calendín. Mario Arteaga, se declarou a favor do projeto de Conga, avaliado em 4 bilhões e 800 milhões de dólares.

O governo decretou estado de emergência, por trinta dias, nas províncias de Calendín, Hualgayoc e Cajamaca, restringindo a liberdade de reunião e individual.

O governador da província de Cajamaca, Gregório Santos, que encabeça os protestos contra o projeto mineiro, acusou o governo central de agir com irresponsabilidade junto ao incidente, já que as manifestações se deram de forma pacífica.

Por sua parte, o ministro da Justiça culpou os “maus dirigentes”, em clara alusão a Santos.

O projeto “Conga”, da mineradora Yanacocha, que tem como principal sócia a mineradora norte-americana, Newmont, significa a construção da maior mina de cobre e ouro da história do Peru.

As diversas comunidades do país se queixam de que, apesar do auge econômico vivido pelo Peru durante os últimos anos, a pobreza continua sendo um mal que cresce nas regiões de exploração de minérios.

Os opositores ao projeto conseguiram parar, praticamente por completo, os trabalhos da Newmont desde novembro de 2011. Os argumentos para isso são: o projeto causa poluição, diminui as reservas de água da região, de maneira irreversível, e não trará benefícios suficientes para a população local.

Dados oficiais expressam que ao menos 12 pessoas já morreram em protestos da região mineira durante o mandato de Humala – no poder desde 28 de julho de 2011. Nos anos de governo de Alan García, o número foi de 174.

O governo peruano manifestou estar de acordo com que a empresa Yanacocha execute o projeto mineiro, depois de ela ter anunciado, em 23 de junho, que aceita as novas condições que o presidente Ollanta Humala apresentou, como a criação de um fundo social e quadriplicar reservas de águas.

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OPINIÃO

Governos – como o de Ollanto Humala, tido como de esquerda, progressista – apenas demonstram que existe, em nossa América Latina, uma esquerda da direita – das oligarquias – que, para ganhar eleição, faz discursos de mudanças, de compromisso com o povo, mas que, uma vez no palácio governamental, fica do lado dos capitalistas, dos grupos econômicos, com quem realmente está comprometida.

Em relação ao conjunto dos explorados, apenas realiza alguma política pública de compensação.

Com esse tipo de governo, a concentração de riquezas não para de crescer. E a consequência natural é a frustração das massas populares, que, num primeiro momento, ficam perplexas por terem sido enganadas, porém, com tendência a agirem na defesa de seus direitos e por mudanças estruturais de fato.

Comitê Bolivariano de São Paulo

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