PRESIDENTE LUGO: DEPOSTO PELO ALIADO

Parte da esquerda latino-americana, sob a luz do pragmatismo, desejando ganhar eleições a qualquer custo, vem fazendo alianças com setores das chamadas oligarquias. Tem ilusão de que tais forças são levadas por algum sentimento patriótico, inclusive, capazes de alguma sensibilidade social, que desejam o avanço da democracia.

Elege seu candidato, forma o governo. Contudo, governa em condições de respeitar os compromissos assumidos com o povo, com os movimentos sociais? Não! Não, porque o aliado oligárquico, muito preciso na defesa de seus interesses, tendo maioria no parlamento, de cara, exige de forma intransigente que o governo não bote em prática o atendimento a qualquer reivindicação de certa importância da população, como reforma agrária, por exemplo, e uma política econômica que fira a lógica neoliberal. E a consequência disso é o desgaste do governante junto ao povo, que vê suas esperanças frustradas.

Sem apoio popular, mais ou menos desmoralizado, o governo passa a ser alvo de ataque, não só da direita com quem se aliou, mas também do conjunto de forças reacionárias como um todo, que usam o momento como a grande chance para recuperar terreno político perdido anteriormente. Usam uma população perplexa, que já não acredita mais na esquerda, para se colocarem como os salvadores da pátria, promotores do restabelecimento da ordem em geral, mormente a ordem econômica. E, contando com essa conjuntura, de crise de consciência política por parte de grande parte do povo, implementam, sem vacilar, o golpe parlamentar, coadjuvado pela grande mídia.

Foi o que aconteceu no Paraguai. Lugo se tornou presidente com esse tipo de aliança e, se afastando dos interesses populares, para não se chocar com os interesses do aliado oligárquico, ficou sem apoio do povo. Desgastado, a direita aliada se somou à não aliada e o derrubou.

Talvez, não fosse esse tipo de aliança, as forças de direita se manteriam em desgaste constante, sem pretexto e discursos que lhe propiciassem algum ganho político junto ao povo; ao passo que as esquerdas tenderiam ao crescimento de sua credibilidade. Ironicamente, a direita paraguaia só foi vitoriosa porque se aliou à esquerda. Numa conjuntura que não favorece a golpes militares, parte da direita se alia à esquerda, num processo eleitoral, exatamente para derrotá-la, buscando desmoralizá-la junto a uma população que via nela um mundo de esperanças.

O mais grave de tudo isso é que, com a derrubada de Lugo, a direita se sente vitoriosa com a sua nova maneira de efetuar golpes de estado: o golpe parlamentar. Num momento em que não há condições para o golpismo militar, ela opta pelo golpe legalizado. Um crime dentro da lei.

O que se espera, agora, é que esse tipo de esquerda, de lógica pragmática, aprenda que só há um caminho para a vitória da mudança: a mobilização e conscientização das massas populares, em quaisquer circunstâncias ou conjuntura. Quem quer mudar só deve aliar-se a quem deseja mudanças.

Carlos Silva

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