EL PORTEÑAZO

O levante cívico-militar de 2 de junho de 1962, ocorrido na Base Naval de Puerto Cabello, conhecido como El Porteñazo, foi uma resposta à falsa democracia do presidente Rómulo Betancourt que, ao assumir a Presidência da República, em 1959, procurou orientar sua política contra os movimentos populares, que haviam derrotado o ditador Marcos Pérez Jiménez (1953-1958). Essa rebelião militar, que acaba de completar 50 anos, foi liderada pelo capitão-de-navio Manuel Ponte Rodríguez, o capitão-de-fragata Pedro Medina Silva e o capitão-de-corveta Víctor Hugo Morales, somando-se a levantes desse mesmo ano, conhecidos como El Curupanazo e El Guairazo, como também o Barcelonazo em 1960, além de outros movimentos das décadas de 1960 e 70; pela construção de um país soberano e independente, em oposição à subordinação da Venezuela ao imperialismo norte-americano.

“Foi toda uma geração militar inspirada no exemplo do coronel Hugo Trejo, valente militar que se insurgiu, em primeiro de janeiro de 1958, contra a tirania, demonstrando ao país que as Forças Armadas, na realidade, não estavam ao lado do tirano Pérez Jiménez”, explica o historiador Leonel Muñoz, em entrevista à Agência Venezuelana de Notícias.

Muñoz enfatiza que, para entender El Porteñazo, deve-se levar em consideração o 23 de Janeiro de 1958, quando ocorreu uma grande celebração, em todo o país, da derrota da ditadura e pelo exercício pleno das liberdades públicas.

Contudo, “esse acontecimento que envolveu toda a Venezuela foi abandonado, em consequência da orientação anticomunista de Betancourt, já em seu discurso de posse, colocada em prática através de diversas ações de seu governo”. O que trouxe, em decorrência, como reação, a opção pela luta armada, assumida pela esquerda na época, com repercussão nos quartéis.

A resposta do governo da Ação Democrática foi o bombardeio ao Fortim Solano, assim como o ataque por mar e terra, provocando um combate frontal que deixou um número aproximado de 400 mortos e 700 feridos, conforme dados do Ministério das Relações Interiores do período, sob a direção de Carlos Andrés Pérez, que, anos depois, reprimiria a população venezuelana durante a explosão social de 1989.

O que pretendia El Porteñazo “era substituir o governo de Betancourt, objetivo de todas as revoltas militares da época, procurando conquistar um governo que se colocasse a serviço dos interesses nacionais, que propiciasse aos venezuelanos e venezuelanas melhores condições de vida, que defendesse a soberania nacional em todos os seus aspectos”, destacou o historiador.

“O Governo de Betancourt se caracterizou pela violência, invadindo universidades, sindicatos, prendendo dissidentes políticos, destruindo e esmagando politicamente a dissidência existente na Venezuela”, recorda.

União cívico-militar

Em função do citado objetivo é que o povo venezuelano se manifesta, através da unidade cívico-militar em Puerto Cabello; união que “muitos anos depois se cristalizou graças à condução política do presidente Chávez”, ressalta Muñoz.

Afirmou ainda o historiador que, atualmente, se constrói uma proposta política “em que a unidade cívico-militar é de suma importância”, dizendo que “convém rememorar aquela data e aqueles homens e mulheres que combateram corajosamente na rebelião de Puerto Cabello, orientados por ideias progressistas e inclusivas, como eram e continuam sendo as lutas pelas reivindicações fundamentais do nosso povo”.

Fonte: Ministério do Poder Popular

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