PARAMILITAR REVELA PLANOS MILITARES E POLÍTICOS PARA DERRUBAR CHÁVEZ

O ex-chefe das Autodefesas Unidas da Colômbia (paramilitares), Salvatore Mancuso, afirmou, no dia 11 de maio passado, que militares e políticos venezuelanos buscaram ajuda dos paramilitares colombianos para organizarem na Venezuela grupos armados, a fim de derrubarem Hugo Chávez, através de um golpe de estado. “Em algum momento, alguns generais e políticos dessa nação irmã entraram em contato com as Autodefesas, diretamente com o comandante Carlos Castaño”. Porém, não tinham intenção de matá-lo (…). O que queriam era que ele também participasse do golpe contra Chávez”, ressaltou.

Durante entrevista em prisão dos Estados Unidos, para onde foi extraditado pela justiça colombiana em 2008, Mancuso disse ainda que apoiou e financiou a reeleição do ex-presidente Álvaro Uribe, em 2006, por meio de um comandante paramilitar apelidado de “Andrés”. “Eu apoiei a reeleição do presidente Uribe, tanto com recursos que entreguei em comunidades, como com dinheiro.”, disse Mancuso a um meio de comunicação colombiano, em presídio norte-americano, após sua extradição para os EUA. Ressaltou que a reeleição de Uribe forneceu dinheiro para que o comandante “Andrés” alugasse ônibus, fizesse propaganda, desse alimentação e transporte a pessoas que votassem no ex-presidente da Colômbia. Informou que Uribe se vinculou a uma campanha para desmoralizar a Corte Suprema de Justiça, para eliminá-la e criar outras instituições públicas que atuassem segundo seus interesses, “para isso, pediu nossa ajuda para obter provas que relacionassem magistrados de tal órgão com narcotraficantes”. Afirmou que, durante sua administração, Álvaro Uribe prometeu não extraditá-lo. Contudo, depois de não ter cumprido a promessa e enviá-lo aos Estados Unidos, buscou condená-lo, porque a verdade o incomoda, não quer que seja revelada. “Não deseja nossa verdade, por isso, pede aos Estados Unidos que sejamos condenados a penas superiores às que devemos ter na Colômbia”, destacou.

O ex-chefe paramilitar, que já reconheceu sua participação em pelo menos 300 assassinatos, ressaltou que, apesar de sua confissão, não pode entregar provas a uma autoridade judicial, “porquanto não existem garantias nem segurança jurídica” para seus familiares e pessoas que trabalham em sua defesa.

Ademais, disse que muitas empresas colombianas e multinacionais contribuíram para o crescimento e expansão das Autodefesas Unidas da Colômbia. Neste sentido, detalhou que empresas como a Chiquita Brands pagavam três centavos de dólar para cada caixa de bananas exportadas, enquanto que a Postobón, uma empresa de bebidas, pagava uma espécie de imposto para manter os paramilitares.

Autoridades da nação sul-americana disseram que Mancuso dirigiu os grupos paramilitares da região da selva e petroleira de Catatumbo, a noroeste da Colômbia, onde mais de 3 mil pessoas foram assassinadas, entre 1999 e 2004, segundo dados de uma organização não-governamental.

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