O TESTAMENTO ESCRITO DE EVA PERÓN

Minha mensagem. […] Amo muito os descamisados, as mulheres, os trabalhadores do meu povo e, por extensão, amo bastante todos os povos do mundo, explorados e condenados à morte pelos imperialismos e privilegiados da Terra. Magoa-me muito o sofrimento dos pobres, dos humildes, a dor de tanta gente no mundo, sem sol e sem céu, sem tranquilidade. […]

Quero rebelar os povos. Desejo incendiá-los com o fogo de meu coração. Quero dizer-lhes que uma humilde mulher do povo (a primeira mulher do povo que não se deixou levar, nem pelo poder, nem pela glória) aprendeu no mundo dos que mandam e governam os povos de toda a humanidade. […] Porque todos os que vieram do povo para seguir meu caminho não regressaram nunca. Deixaram-se deslumbrar pelas fantasias maravilhosas das alturas e aí ficaram para gozarem da mentira. […]

Não deixei que me tirassem da alma o que trouxe da rua, por isso não me deslumbrou jamais a grandeza do poder, e pude ver suas mazelas. Por isso, nunca me esqueci das misérias do meu povo e pude ver suas grandezas. […]

Os fanáticos. Somente os fanáticos – que são idealistas e sectários – não se entregam. Os frios, os indiferentes, não servem ao povo. Não conseguem servi-lo, ainda que queiram. […] Por isso sou fanática. Daria minha vida por Perón e pelo povo. […]

Nem fieis nem rebeldes. […] Em 17 de outubro, foi o reencontro do povo com Perón. Aquela inesquecível noite foi um marco no destino dos dois e, assim, teve início o imenso drama… Frente a um mundo de povos submetidos, Perón levantou a bandeira da nossa libertação. Ante um mundo de povos explorados, Perón ergueu a bandeira da justiça.

Juntei-lhe meu coração e entrelacei as duas bandeiras, da justiça e da liberdade, com um pouco de amor… Porém, tudo isto – a liberdade, a justiça e o amor, Perón e seu povo –, tudo isto significa muito para que se possa ficar indiferente ou com frieza. Tudo isto merece ódio ou amor.

Os frios, os indiferentes, os de mente curta, os peronistas vacilantes, me provocam asco. Causam-me repugnância porque não têm cheiro nem sabor. […]

Doa a quem doer. […] Existem no mundo nações exploradoras e nações exploradas. Eu não diria nada se se tratasse apenas de nações. O problema é que, por trás de cada nação dominada pelo imperialismo, há um povo escravizado, de homens e mulheres explorados. […]

A única coisa compatível com a felicidade dos povos, com a felicidade de todos os seres humanos, seria a existência de nações justas, soberanas, livres, conforme a doutrina de Perón.

Isto se dará neste século. Embora isto pareça uma ladainha inerente ao meu fanatismo, acontecerá, “doa a quem doer, custe o que custar”. […]

Os que se entregam. Entretanto, ainda mais abomináveis que os imperialistas são os homens das oligarquias nacionais que se entregam, vendendo e, às vezes, entregando, em troca de moedas ou sorrisos, a felicidade de seus povos. Conheci-os muito bem. Frente aos imperialismos não senti outra coisa, senão repugnância e ódio, porém, em relação aos traidores de seus povos, experimentei infinita indignação e desprezo.

Muitas vezes, ouvi-os desculparem-se ante minha agressividade irônica e mordaz: “não podemos fazer nada”, diziam. Ouvi-os, várias vezes, dizendo diversos tipos de mentiras. Mentira! Sim, mil vezes mentiras…!

Há apenas uma coisa imbatível na Terra: a vontade dos povos. Não existe nenhum povo no mundo que não possa ser justo, livre e soberano.

Eva Perón, Minha Mensagem

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