O SOCIALISMO E O CRISTIANISMO

Para a defesa de uma sociedade justa, igualitária, o socialista cristão se inspira em palavras de Cristo, expressas no Novo Testamento, e em trechos do Velho Testamento, onde aparece a luta contra a escravidão, como a de Moisés para libertar seu povo da dominação dos faraós, no Egito. Nos enunciados de Cristo, o socialista cristão vê, antes de tudo, uma ética superior que empurra as pessoas para a defesa de relação plenamente solidária entre as criaturas humanas, fundamentada no comunitarismo e nos princípios da igualdade.

É evidente que o fundamento filosófico e científico, indispensável para a transformação da sociedade capitalista, o socialista cristão não vê na Bíblia; daí porque, quase sempre, recorre a expoentes do pensamento social de mudança, como autores marxistas, buscando unir a ética de Cristo ao pensamento científico de Marx. E diz que isso é possível, porquanto não vê nenhum choque ético entre o pensamento cristão e a concepção marxista do mundo, já que, no seu entender, ambos fundamentam um mesmo objetivo.

É nessa visão de mundo que Chávez se inspira para defender sua proposta de Socialismo do Século XXI, o que o leva a fazer, simultaneamente, de forma constante, referência a Cristo e a pensadores marxistas, e ao próprio Marx. Fato que não é novo entre cristãos que lutam pela libertação dos explorados. Já no Século XVIII, Túpac Amaru se inspirava em ideias de Cristo e em trechos do Velho Testamento para se insurgir contra a dominação espanhola. Os teólogos e demais militantes da Teologia da Libertação, vendo sentido revolucionário nas palavras de Cristo, no Sermão da Montanha, muito têm feito pelo fim da opressão, na América Latina.

Efetivamente, o que Chávez e outros cristãos que veem em Cristo a proposta de uma comunidade humana, universal, sem ricos, sem explorados, entendem é que, na verdade, o que separa o ser humano do ser humano não é ser, ou não, religioso, mas a condição de um ser explorado pelo outro, fazendo com que milhões deem seu sangue para que poucos vivam na luxúria.

Neste sentido, pode-se concluir que, apesar da contradição existente entre o marxismo e o pensamento cristão, na medida em que os seguidores de Cristo também lutam pelo socialismo, por verem neste a realização de seu sonho maior, nada impede a união de ambos na batalha para derrotar o capitalismo. Isso explica porque na Venezuela, Cuba e outras regiões, cristãos e marxistas se unem nas lutas antiimperalialistas e pelo socialismo. Não é por acaso que um representante cubano, em palestras na PUC-SP – quando se realizava a Primeira Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba – disse: “não temos nenhum problema com Deus, mas sim com o imperialismo americano.”

Alberto Souza

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