CHÁVEZ: DO NACIONALISMO AO SOCIALISMO

Inspirando-se no ideário de Simón Bolivar, nas lutas do povo venezuelano e de outros povos da América Latina ao longo de sua história, indignado com o que aconteceu nas lutas de rua dos habitantes de Caracas, em 1989, contra o governo antipopular e pró-imperialista, que usou as forças de repressão para assassinar centenas de manifestantes, Chávez, em 1992, acabou por liderar um movimento cívico-militar pela tomada do poder.

Era uma ação revolucionária, de caráter nacionalista e antiimperalialista. Sendo preso, quando seus inquisidores lhe perguntaram quem era o autor intelectual do movimento, ele de pronto, respondeu: “Simón Bolivar.”

O movimento de 92, ao contrário do que as oligarquias imaginavam, dava origem a um líder que logo derrotaria, em eleições para a presidência da república, as forças reacionárias do país, aliadas, principalmente, aos interesses do imperialismo americano. Chávez, imediatamente, mostrou para que veio, tomando medidas de cunho nacionalista, de defesa de uma economia autóctone, da soberania nacional, contrariando o interesse de grupos econômicos, mormente, os internacionais, acobertados pelos Estados Unidos. E a consequência rapidamente aconteceu: o imperialismo procurou mobilizar seus testas-de-ferro na Venezuela para o golpe de 11 de abril de 2002; certamente, imaginando que isso se daria com a maior tranquilidade possível, sem qualquer resistência do povo que, na verdade, estava disposto a defender seu governo e sua pátria.

Pateticamente, ocupou o palácio do governo, o empresário golpista, Carmona, que, graças às manifestações antigolpistas de milhares de pessoas nas ruas e praças, teve de sair às pressas de um espaço que não podia ser usado por nenhum traidor. Chávez voltou ao governo, para depois ter de enfrentar outra conspiração orquestrada basicamente pelos mesmos golpistas: o boicote petroleiro de 2002, quando a PDVSA (estatal petrolífera) não só foi usada como verdadeiro quartel-general dos inimigos da Pátria, mas também teve sua produção reduzida a nível insuportável, causando prejuízo de bilhões de dólares.

Só que, mais uma vez, os golpistas se enganaram, ao subestimarem a capacidade de organização e mobilização do povo contra mais um ato de traição. As forças populares se mobilizaram em todo o país, e logo foi organizada grande quantidade de voluntários para retomada da produção de petróleo. As manifestações contra a traição cresciam sem parar. Acontecia mais uma derrota das oligarquias e do imperialismo ianque.

Mais uma grande experiência de que Chávez tira lições, dando um passo à frente. A vida lhe mostrou que o nacionalismo significa um avanço na luta de um povo pela sua libertação, mas que está claro que, com o capitalismo, não é possível que um povo e seu país verdadeiramente se libertem e deixem de ser explorados. Daí, a sua proposta de Socialismo do Século XXI, ao seu ver, um processo embasado na democracia participativa e protagonista das comunidades, de todos aqueles que têm interesse na mudança revolucionária.

Fato que parece deixar claro que a luta antiimperialista e a luta pelo socialismo, nos dias de hoje, andam lado a lado, devido ao caráter monopolista do capitalismo atual, principalmente no que se refere ao capital financeiro. Fato que tem levado Chávez a realizar verdadeiro encontro de Bolivar com o marxismo, fazendo que este tenha como interlocutor o processo vivo e concreto de um povo, penetrando, cada dia que passa, na alma de gente que, nas ruas, nas fábricas, nas escolas etc., age para construir um novo mundo.

Alberto Souza

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