AS LUTAS DO POVO E AS FORÇAS ARMADAS

É fato conhecido que as Forças Armadas, ao longo da história do Brasil, sempre agiram contra as lutas do povo, inclusive cometendo enormes matanças como a de Canudos, Contestado e outras.

Contudo, isso não quer dizer que não haja existido no seio delas militares que não tenham fugido a esta constante. Sempre houve, em maior ou menor quantidade, homens de quartel insatisfeitos com a ordem vigente. Citemos, como exemplo das primeiras décadas do século passado, os movimentos tenentistas que, não obstante seu caráter programático confuso, sem projeto político e econômico definido, refletiam certo nível de insatisfação frente ao processo político da época, fraudulento por natureza.

Deste potencial de rebeldia surgiriam, inclusive, revolucionários, como Luís Carlos, que compreendeu a verdadeira causa das mazelas vividas pelo nosso povo, abraçando o marxismo até a sua morte.

Surgiriam nos anos 40, marinheiros, oficiais do Exército à frente da histórica campanha pelo direito de o Brasil ser dono de seu petróleo, conhecida como “O Petróleo é Nosso”, vitoriosa em 1953, quando se aprovou o projeto de criação da Petrobrás.

Apareceram nos anos 60, movimentos de sargentos em apoio às Reformas de Base, assumidas por Jango Goulart, sem falar de oficiais do Exército e de outras corporações militares que também se posicionavam favoravelmente a reivindicações populares, como a reforma agrária e tantas outras.

E quanto às constantes tentativas golpistas de grupos das forças armadas, sempre em oposição a qualquer avanço político e social, atentando contra um processo democrático que apenas ganhava seus primeiros anos de vida, esses setores progressistas da área militar agiram, como puderam, para evitar seu êxito.

O golpe de 64 dizimou essa parte patriótica das Forças Armadas, ficando as corporações militares sem setores de idéias progressistas. O que explica porque os comandos dessa instituição nada fazem para que se abram os arquivos da ditadura, possibilitando a punição de quem torturou e matou em nome das próprias Forças Armadas. Sequer fazem questão de esclarecer que não se deve confundir aqueles que cometeram crime, instrumentalizando a instituição militar para isso – que devem ser punidos dentro da Lei – com as Forças Armadas, contribuindo para que o Brasil deixe de ser réu na Corte Internacional da OEA.

Comitê Bolivariano de São Paulo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: