ELEIÇÃO DE DILMA, UM AVANÇO?

O governo Lula procurou manter os fundamentos básicos da política econômica da era FHC: taxas altas de juro e superávit fiscal para atender a interesses de banqueiros; uma atenção muito especial ao agronegócio, para o qual houve crédito fácil e em grande monta; a não-reversão de privatizações; a não-recuperação de ações da Petrobrás na Bolsa de Nova Iorque, vendidas ao capital privado dos EUA, a preço de bananas, por Fernando Henrique Cardoso; a manutenção dos leilões do petróleo baseada na lei entreguista de governo anterior; a ausência de tomada de iniciativa buscando realizar auditoria da divida pública, como prevê a Constituição Federal.

Em relação ao atendimento a demandas sociais, Lula ficou muito longe do mínimo desejado, em relação com a atenção que deu ao agronegócio e ao grande capital em geral. Não fazendo a reforma agrária, nada avançou em ações para quebrar o monopólio da terra, contentando latifundiários. Pouco fez pela Educação: ao invés de aumento significativo em gastos com a educação pública, preferiu engordar faculdades privadas, através do PROUNI. Na área da Saúde, realizou muito pouco, permitindo que o atendimento aos que não têm convênio privado cada vez mais piorasse. E no que toca à Bolsa Família, aí não foi além de uma política compensatória.

Então, onde está o avanço do governo Lula em comparação com o de FHC? É evidente que não se nota uma grande diferença, de acordo com o que se esperava de uma administração encabeçada por um líder proveniente do chamado campo popular. Contudo, ela existe, significando um passo adiante. Vejamos: acerca da política externa, Lula primou pela independência em relação ao desejo de potências, principalmente, os EUA – com a sua política de impor regras aos povos, inclusive através das armas – o que tem contribuído significativamente para neutralizar a política agressiva estadunidense sobre os governos progressistas da América Latina; os movimentos sociais, em geral, não têm sido tratados como casos de polícia, permitindo-lhes espaços democráticos para a sua organização e luta; em relação à política de crédito, houve alguma melhora para com os pequenos negócios, na cidade e no campo, embora muito tímida, se se compara com o que vêm recebendo grandes capitalistas, como usineiros e construtoras; deu uma melhorada no salário mínimo, que ainda é um dos mais baixos da América Latina; se não desprivatizou empresas importantes, verdadeiramente entregues a grupos econômicos pelo governo fernandista, também não pode ser considerado um governo privatista, deu uma parada no processo de privatização que tantos danos causou ao Brasil.

Então, se o governo Dilma significa a continuação do governo Lula, no fundamental, pode-se dizer que vitória da candidata petista pode ser vista como um avanço, um passo a mais? Bom, pelo visto, praticamente não. Aliás, se Dilma, em algum momento, no governo, tivesse destoado dos compromissos assumidos por Lula nos seus dois governos, com obediência a qualquer tipo de contrato firmado, inclusive com o capital financeiro, não seria ela a candidata do presidente e das forças ligadas diretamente a ele. Dito isto, o que justificou a união de forças democráticas e progressistas em torno da candidatura da ex-ministra da Casa Civil? É que, se Dilma não é um avanço, Serra, com certeza, significa o retrocesso, uma ameaça não só às nossas modestas conquistas sociais – que nos custaram até mesmo sangue derramado – porém, mais ainda, ao pouco que se conquistou em termos políticos e de desenvolvimento do processo democrático.

Comitê Bolivariano de São Paulo

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