URUGUAI – JOSÉ GERVASIO ARTIGAS (1764-1850)

Nasceu em 19 de junho de 1764 em Montevidéu. Pertencia a uma família cujas origens se vinculavam aos fundadores da cidade. Quando jovem, trabalhou no campo. Ingressou no regimento de Blandengues de Fronteras, onde se tornou oficial. Participou da Reconquista de Buenos Aires contra as Invasões Inglesas, de 1806 e 1807.

Em 1811, deserta do lado espanhol, quando o novo vice-rei desconhece a junta revolucionária de maio de 1810. O governo revolucionário de Buenos Aires o nomeou Tenente-Coronel. Sua missão era provocar levantes na banda oriental contra os espanhóis; armou uma força militar baseado no grande prestígio que tinha no campo. Encabeçou o Grito de Asencio. Triunfou na batalha de Las Piedras. Participou no Sitio a Montevideo. Teve que lutar contra a oligarquia portenha, as forças espanholas e a invasão portuguesa. Tornou-se o Protector de los Pueblos Libres. Foi derrotado pelos portugueses em Tacuarembó. Foi traído por muitos de seus chefes. Derrotado, finalmente, por um deles em 1920, parte para o seu exílio de 30 anos no Paraguai, onde é recebido pelo Dr. José Gaspar Rodríguez de Francia. Morre em 23 de setembro de 1850.

Síntese de sua atuação:

Em 28 de fevereiro de 1811, inicia-se a revolução na Banda Oriental (o Grito de Asencio). Em 18 de maio, obtém a vitória de “Las Piedras”, o que abre a passagem ao cerco a Montevidéu (ocupado pelos espanhóis). Em julho desse mesmo ano, tropas portuguesas ingressam no território oriental. Buenos Aires abandona Artigas e pactua com o vice-rei Elío. Artigas se transfere ao acampamento de Ayuí, em um processo que é conhecido como o “Exodo Oriental”, onde o povo da planície o segue para proteger-se contra as represálias da Espanha. As relações conflitivas com Buenos Aires, em que predominam tendências centralistas, levam à desobediência de Artigas, que é qualificado como “traidor da pátria” pelo governo portenho. Convoca-se a Assembléia do Ano XIII, onde se estabeleceriam os princípios de governo das províncias de governo do Rio de la Plata. Artigas decide reconhecer a convocatória. Convoca o Congreso de Tres Cruces, em que se origina uma série de instruções para os deputados da Banda Oriental que vão tomar parte da Assembléia do Ano XIII. Os deputados artiguistas são rechaçados, sob pretextos formais. Na realidade, o rechaço se deve ao conteúdo das Instrucciones del Congreso: federalismo, igualitarismo, democracia, independência e unidade. Devia-se evitar que o partido artiguista entrasse em contato com o partido sanmartiniano, ambos opositores à burguesia comercial portenha. Aprofunda-se o conflito com Buenos Aires. Artigas é declarado novamente traidor e o Directorio põe sua cabeça a prêmio.

Sua liderança cresce, obtém o apoio de Misiones, Corrientes, Entre Rios, Santa Fé e Córdoba, além da Banda Oriental, que constituem a Liga de los Pueblos Libres. Artigas é nomeado Protector, desfraldando a luta contra o centralismo e a oligarquia portenha. Desenvolve seu programa revolucionário. É combatido por Buenos Aires e pelo império português, que invade a Banda Oriental, com a participação de representante argentino no Rio de Janeiro visando derrotar Artigas.

San Martí enviou correspondência a Artigas buscando unir sua luta contra o império espanhol, porém as cartas foram interceptadas e nunca chegaram às mãos do líder oriental. Dois lugar-tenentes de Artigas, Estanislau López e Francisco Ramírez, triunfam contra as forças diretoriais (tropas portenhas) na Batalla de Cepeda. Enquanto isso, Artigas cai derrotado frente aos portugueses em Tacuarembó. À sua derrota, segue a traição de seus principais chefes. López e Ramirez assinam um tratado com Buenos Aires às suas costas. Após numerosos enfrentamentos, Artigas é derrotado por Ramírez em Rincón de Abalos, em 24 de julho de 1820. Exila-se no Paraguai.

Síntese de seu pensamento:

Seu pensamento se viu expressado, principalmente no Reglamento de Tierras e nas Instrucciones a los Deputados de la Banda Oriental. Sua doutrina pode ser resumida em :

1-A confederação e a unidade americana.

2-A soberania popular.

3-Igualdade para os índios.

4-A divisão justa de terras.

5-A independência de toda opressão estrangeira.

6-A proteção das artes e indústrias nacionais frente aos produtos estrangeiros.

Citações importantes:

“Com liberdade não ofendo nem temo.”

“Os povos da América do Sul estão intimamente unidos por vínculos de natureza e interesses recíprocos.”

“Nada podemos esperar a não ser de nós próprios.”

“Não venderei o rico patrimônio dos Orientais ao vil preço da necessidade.”

“Que os índios e seus povos se governem por si mesmos.”

“Que os mais infelizes sejam os mais privilegiados.”

“Sejam os Orientais tão ilustrados como valentes.”

“Eu continuarei sempre em minhas duras lutas pela liberdade e grandeza deste povo. A energia nivelará seus passos posteriores até sua consolidação e em meio dos maiores apuros não me prostituirei jamais.”

“Para mim, é um dever proteger com minhas armas as livres determinações dos povos.”

“Minhas armas não têm tido outro objetivo que o de sustentar a liberdade geral dos povos, em cuja defesa tenho estado pronto a sacrificar minha existência.”

“O povo tem direito a alterar o governo e tomar as medidas necessárias à sua segurança, prosperidade e felicidade.”

Transcendência histórica:

A reforma agrária impulsionada por Artigas, segundo o princípio de que “os mais infelizes são os mais privilegiados” no momento da divisão da terra (Reglamento de Tierras de 1815). O conteúdo social e igualitário de sua atuação e sua subordinação à soberania popular são bases para a democracia participativa e a construção do Socialismo do Século XXI. Sua luta foi pela federação, unidade, igualdade e autodeterminação, como bandeiras inseparáveis. É um precursor indiscutível da causa da Nossa América.

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