Cuba – José Martí (1883-1895) (Cintio Vitier)

De onde cresce a palma

Primogênito de modestos imigrantes, José Martí, sem nunca renegar sua raiz hispânica, sentiu-se fruto de Cuba, a terra que o viu nascer. Sendo ainda um menino, os espetáculos sanguinolentos da escravidão fizeram-no pronunciar um juramento: “lavar com sua vida o crime”. Ao despontar sua adolescência, já era um lutador contra o colonialismo, que o condenou a trabalho forçado, com corrente e grilhão no pé, num presídio político cujos horrores ele denunciaria e no qual, paradoxalmente, forjou sua liberdade espiritual, sua ética militante, com a qual chegou a pregar uma guerra de libertação “necessária”, mas “sem ódio”.

Seu desterro em Madri e Zaragoza, onde estudou, confirmou, por um lado, seu vínculo com o espírito rebelde do povo da Espanha e por outro, que Cuba não podia esperar nada de seus governos, monárquicos ou republicanos. Sua peregrinação pelo México, Guatemala e Venezuela fê-lo experimentar os problemas das novas repúblicas ainda lastradas por vícios coloniais. Sua permanência de cerca de 15 anos nos Estados Unidos permitiu-lhe conhecer a fundo os grandes criadores da cultura, os méritos e perigos de seu sistema social, as características de seu povo e a crescente tendência imperialista de seu governo.

Este périplo vital foi expresso numa obra literária e jornalística de primeira magnitude, que adquiriu seu impulso definitivo a partir da viagem de Martí à Venezuela em 1881. O orador do discurso no Clube de Comércio de Caracas, o editorialista da Revista Venezuelana, o poeta de Ismaelillo, o autor do Prólogo ao Poema de Niágara de Juan Antonio Pérez Bonalde, já é o iniciador de uma nova literatura hispano-americana que vai ter um Rubén Darío – que chamou Martí de “Mestre” quando este caiu em Dois Rios – sua cabeça mais visível.

Entretanto, Martí não se dedicou – e essa é outra lição da parábola de sua vida – a lavrar para si uma reputação literária, mas sim pôs seu gênio verbal, como orador e como jornalista, a serviço da causa de Cuba e da que chamara, em páginas memoráveis, de “Nossa América”, à conscientização da qual dedicou o testemunho de seus Cenários Norte-americanos.

Vida toda ela dominada pela ética, pelo sentido do dever e do sacrifício, quando José Martí proclama o Partido Revolucionário Cubano, a 10 de abril de 1892 em Nova York, os humildes emigrados na Flórida já começavam a chamá-lo por um apelido – o Apóstolo – que significativamente ultrapassava os marcos políticos habituais.

A partir daquela proclamação precedida por um discurso fundador do novo projeto República – “Com todos, e para o bem de todos”, pronunciado no Liceu de Tampa a 26 de novembro de 1891 – a  atividade revolucionária de Martí alcança uma intensidade surpreendente, refletida em seus discursos, em seus artigos no jornal Pátria, em seu epistolário e em suas viagens incessantes, incluindo as que teve de fazer para garantir a incorporação dos dois generais mais prestigiosos da Guerra dos Dez Anos : Máximo Gómez, eleito General-em-chefe do Exército Libertador, e Antonio Maceo.

No citado discurso, Martí tinha dito: “Ou a República tem por base o caráter inteiro de cada um de seus filhos – o hábito de trabalhar com suas mãos e pensar por si próprio, o exercício íntegro de si e o respeito, como de honra de família, ao exercício íntegro dos demais: a paixão, enfim, pelo decoro do homem – ou a República não vale uma lágrima de nossas mulheres nem uma só gota de sangue de nossos bravos.”

Princípios desta fecundidade aparecem nos documentos que inspiraram, no fim da guerra, a república martiana, tais como o artigo Nossas idéias, Manifesto de Montecristi e as últimas cartas a Federico Henríquez y Carvajal e a Manuel Mercado. Segundo estes e muitos outros textos, a República seria uma democracia integral, sem privilégios de raça nem de classe, fundada no desfrute eqüitativo da riqueza e da cultura, e em reivindicação das massas produtoras.

Por outra parte, na citada carta a seu confidente mexicano, poucas horas antes de cair em combate, escreveu: “…já estou todos os dias em perigo de dar minha vida por meu país e por meu dever – posto que o entendo e tenho vontade de realizá-lo.” Para Martí, esse dever consistia em impedir a tempo, ao ficar Cuba independente da Espanha, que um novo imperialismo se estendesse pelas Antilhas e caísse ainda com maior força sobre as terras da América.

Para isso, pois, e não só para libertar Cuba do jugo espanhol, organizou José Martí a nova guerra, na qual caiu, em 19 de maio de 1895.

No fundo do povo, a parábola martiana continuou minando lições e apelos, pois como ele disse também a Mercado: “Vou desaparecer, mas meu pensamento não desaparecerá.”

Sua maior glória está em ter sabido falar aos pobres e às crianças, em ter sabido viver e morrer por eles. Continuará, por conseguinte, iluminando-os com seu exemplo, já que sua obra na terra que o viu nascer, na terra toda, não tem fim.

CRONOLOGIA DE JOSÉ MARTÍ

1853 janeiro, 28. Nasce em Havana, à Calle de Paula N.° 41, José Martí; filho de Mariano Martí, de Valencia, e de Leonor Pérez, de Santa Cruz de Tenerife.

1857 Martí viaja com seus pais à Espanha.

1859 Regresso de Martí a Cuba.

1866 Início dos estudos de Segundo Grau, depois de ter estudado com o poeta Rafael María de Mendive.

1869 Martí publica seus primeiros escritos independentistas no jornal El Diablo Cojuelo, de seu amigo, Fermín Valdés. Faz o primeiro e único número de seu jornal La Patria Livre, onde aparece seu drama Abdala. Em 21 de outubro, Martí é detido e encarcerado.

1870 Martí é condenado a seis anos de presídio político e logo transferido por indulto à Ilha de Pinos.

1871 Deportação para a Espanha. Publicação do ensaio El presidio político en Cuba. Matricula-se na Universidade Central de Madri como estudante de direito.

1872 Transferência a Zaragoza por motivos de saúde, em conseqüência de uma doença contraída durante sua condenação nas pedreiras de Havana. Começa a escrever seu drama Adúltera.

1873 Estudos de direito e filosofia na Universidade de Zaragoza. Publicação do trabalho: A República Espanhola ante a Revolução Cubana.

1874 Faz o exame de bacharel e obtém as licenciaturas em Direito Civil e Canônico e em Filosofia e Letras. Em dezembro, abandona a Espanha e visita várias cidades da França. Embarca para o México em Le Havre.

1875 Chega a Veracruz, México. Começa seu trabalho na redação da Revista Universal, onde publica um boletim sob o pseudônimo de “Orestes” e traduz partes de Mes Fils de Víctor Hugo.

1876 Delegado ao Primeiro Congresso Operário Mexicano. Em dezembro, embarca para Cuba.

1877 Regressa ao México e se instala na Guatemala onde é nomeado catedrático de filosofia na Escola Normal Central da Guatemala. Em dezembro, viaja ao México para contrair matrimônio com Carmen Zayas.

1878 Publica o folheto Guatemala. Regressa à sua cátedra na Guatemala; mas renuncia após poucos meses e viaja para Cuba. É negada sua solicitação de exercer a advocacia. Nasce seu filho, José Francisco, em Havana.

1879 Discursos políticos em Cuba. Nova deportação para a Espanha. Em dezembro, viaja para a França.

1880 Chega a Nova York. Inicia sua colaboração com os periódicos The Hour e The Sun.

1881 Viaja para a Venezuela. Funda a Revista Venezuelana. Regressa a Nova York. Inicia sua colaboração com A Opinião Nacional, de Caracas.

1882 Publica seu primeiro livro de Versos: Ismaelillo. Escreve seus Versos livres. É nomeado correspondente do La Nación, de Buenos Aires.

1883 Direção da revista La América em Nova York. Publica várias traduções, entre outras a de Noções Lógicas, de Stanley Jevons; e sua famosa “Carta” sobre a morte de Marx.

1884 Entrevista com Máximo Gómez e Antonio Maceo em Nova York. Analista dos movimentos sociais nos Estados Unidos.

1885 Publicação de numerosas crônicas e estudos sobre a vida social, política, científica e cultural nos Estados Unidos.

1886 Correspondente do La Nación, de Buenos Aires; do El Partido Liberal, do México; do La República, de Honduras; e do La Opinión Pública, de Montevidéu.

1887 Morte do pai em Havana. Novamente é nomeado Cônsul do Uruguai. Prossegue sua intensa atividade jornalística.

1888 Representante da Associação de Imprensa de Buenos Aires no Canadá e Estados Unidos. É nomeado sócio-correspondente da Academia de Ciências e Belas Artes de São Salvador.

1889 Publica o folheto Cuba e os Estados Unidos, e edita o primeiro número de sua revista dedicada às crianças da América: A Idade de Ouro.

1890 É nomeado Cônsul da Argentina e do Paraguai em Nova York; e representante do Uruguai na Comissão Monetária Internacional Americana em Washington.

1891 Renuncia a seus cargos diplomáticos para dedicar-se à causa da independência de Cuba com toda a liberdade. Publica seus Versos Simples e o ensaio Nuestra América. Pronuncia seus famosos discursos: Com todos e para o bem de todos e Os pinos nuevos.

1892 Funda o Partido Revolucionário Cubano e edita o primeiro número de seu jornal Pátria. Viagens e discursos pelos Estados Unidos, Haiti, Jamaica e Santo Domingo.

1893 Continua suas viagens e sua atividade em favor da independência de Cuba.

1894 Entrevista com Máximo Gómez em Nova York e Filadélfia. Viagens pela América Central e pelo Caribe, organizando a guerra de independência. Entrevista com Porfirio Díaz no México. Regressa aos Estados Unidos.

1895 Viagem a Montecristo, onde redige o Manifesto de Montecristo e sua carta-testamento política a Federico Henríquez y Carvajal; sua carta-testamento literária a Gonzalo de Quesada y Aróstegui; e sua carta não-concluída a Manuel Mercado. A 15 de abril, o Generalíssimo Máximo Gómez o nomeia Major-General. A 19 de maio, cai mortalmente ferido numa ação de guerra em Dois Rios. Seu cadáver é transferido para Santiago de Cuba. É enterrado em 27 de maio.

Síntese de seu pensamento:

— Antiimperialista e verdadeiro paladino da unificação da América Latina e do Caribe. Na sua condição de delegado do Partido Revolucionário Cubano, pôs em prática sua concepção de política exterior que, baseada no latino-americanismo e no antiimperialismo, não limitava seu desempenho ao estabelecimento de nexos com os governos e a estendia aos povos. Em dezembro de 1889, Martí pronunciou um discurso conhecido como “Mãe América”, que constitui todo um projeto de política exterior, onde fixa os princípios que deviam reger as relações interamericanas e a unidade de nossos povos, como força imprescindível para frear e enfrentar a conquista da América Latina pelos Estados Unidos.

─ Identifica a revolução com as profundas mudanças ansiadas por essa massa não resgatada que reflete em sua mísera situação todos os horrores da grande exploração colonial. Dirá “Com os pobres da terra quero minha sorte lançar.”

─ Entende que a verdadeira revolução há de nascer da massa indígena, porque é nela onde a dignidade americana tem sido vilmente ultrajada e onde estão contidas, portanto, as exigências mais radicais para a reivindicação de uma nova vida.

─ Pensa que a independência sozinha não é a solução para as novas repúblicas. Para ele, a independência, se não vai acompanhada de um profundo projeto libertário orientado a erradicar todas as deformações criadas pela dominação estrangeira – tanto econômicas como políticas e culturais – não será mais do que uma simples troca de formas. Por isso, advertiu: “O problema da independência não era a troca de formas, mas sim a troca de espírito.”

Citações importantes:

Sobre Nossa América:

“Na América, há dois povos e não mais que dois, de alma muito distinta pelas origens, antecedentes e costumes e só semelhantes na identidade fundamental humana. De um lado, está nossa América e todos seus povos que são de uma natureza e de berço parecido ou igual e igual mistura imperante; da outra parte, está a América que não é nossa . . .”

Sobre a unidade:

“É a hora do reencontro e da marcha unida e temos de andar em quadro apertado, como a prata nas raízes dos Andes . . .

Sobre a cultura nacional:

“A universidade européia há de ceder à universidade americana. A história da América, dos incas até aqui, há de ser ensinada de cor, ainda que não ensine a das arcas da Grécia. Nossa Grécia é preferível à Grécia que não é nossa. É, para nós, mais necessária. Os políticos nacionais hão de substituir os políticos exóticos. Enxerte-se o mundo em nossas repúblicas, mas o tronco tem de ser o de nossas repúblicas. E cale-se o pedante vencido, pois não há pátria em que o homem possa ter mais orgulho do que nas nossas dolorosas repúblicas americanas.”

Sobre os jovens na América:

“Os jovens da América  arregaçam a camisa, metem as mãos na massa e a fazem crescer com a levedura de seu suor. Entendem que se imita demasiadamente e que a salvação está em criar. Criar é a senha desta geração. “O vinho, de banana; e se ficar azedo, é nosso vinho !”

Sobre a luta ideológica:

“Trincheira de idéias valem mais do que trincheiras de pedra… Uma idéia enérgica, flamada a tempo ante o mundo, detém, como a bandeira mística do juízo final, um esquadrão de encouraçados.”

Sobre a autocrítica:

“Estratégia é política. Os povos hão de viver criticando-se, porque a crítica é a saúde; mas, com um só peito e uma só mente. Abaixar-se até os infelizes e erguê-los nos braços. Com o fogo do coração descongelar  a América coagulada!”

O legado filosófico de José Martí

Não tememos as palavras e podemos concordar com aqueles que afirmam que entramos em uma era pós-moderna e, a esta altura da história, só há duas formas de conceber um tempo posterior à idade moderna: uma seria o caos presente na dramática realidade de hoje que ameaça destruir a civilização que chamaram de ocidental e inclusive toda a humanidade. Outra consiste em coroar a idade da razão com princípios éticos e iniciar a verdadeira história do homem. Tudo o que foi anteriormente criado ficará sendo pré-história. É a única forma racional de assumir uma época que suceda à modernidade e ao capitalismo.

Não há mais alternativa do que enfocar problemas de caráter filosófico, deixando para trás terminologias de origem européia que estabelecem uma cerca com as massas e ir diretamente ao pensamento dos maiores filósofos do velho continente nos dois últimos séculos.

Na história da humanidade, não houve nenhuma mudança importante que não estivesse precedida por uma elaboração intelectual. Não há império romano sem direito romano e a cultura que se acumulou no Mediterrâneo; não teria existido ascensão do capitalismo no trânsito entre a idade média e a moderna, sem o Renascimento; tampouco, teriam existido revoluções burguesas e ascensão do capitalismo europeu, nos finais dos séculos XVIII e XIX, sem a ilustração e os enciclopedistas; não haveria, tampouco, movimento emancipador da nossa América, sem a enorme cultura representada por Bolívar, Martí e os próceres e pensadores de nossas pátrias. Os exemplos podem ser muitos outros.

A necessidade de uma reflexão filosófica e cultural profunda nos está imposta pelos tempos de mudança em que vivemos. Em que consistiria? Como enfrentar, na prática, os problemas teóricos fundamentais de nossa época para abrir caminho à ação eficaz?

Para encontrar o caminho de um novo pensamento filosófico latino-americano, devemos partir de seus antecedentes e identificar quais são os problemas concretos de hoje.

Em 1887, nosso Herói Nacional, ao analisar com visão premonitória os perigos que se gestavam a partir dos Estados Unidos, assinalou : Vão-se levantando no espaço, como imensos e lentos fantasmas, os problemas vitais da América: – os tempos pedem algo mais do que fábricas da imaginação e urdimento de beleza. Podem-se ver – em todos os rostos e em todos os países, como símbolos da época – a vacilação e a angústia. O Mundo inteiro é hoje uma imensa pergunta.  

Passaram-se mais de cem anos destas palavras e elas mantêm uma vigência renovada. Como responder a esta pergunta no século XXI quando o desafio se apresenta de uma maneira mais dramática e universal? Os cubanos contam com o arsenal de idéias filosóficas presentes no pensamento de José Martí. Assinalemos as seguintes :

– As concepções acerca do que ele chamou de “a ciência do espírito”.

– As idéias expressas com beleza poética nos versos do poema Yugo y estrella.

– Os enfoques de grande valor no campo da pedagogia, em relação aos vínculos entre a maldade e a estupidez e entre a bondade e a inteligência.

– O conceito de que todo homem leva dentro dele uma fera adormecida, porém, ao mesmo tempo, somos seres admiráveis capazes de colocar rédeas na fera.

– A aspiração a uma filosofia com a essência do conceito de universo, quer dizer, uno no diverso.

– A idéia acerca de uma filosofia das relações.

– Os critérios acerca da importância da educação e da cultura na libertação humana.

– As idéias éticas e estéticas e a relação entre elas: Verso: ou nos condenam juntos / ou nos salvamos os dois.

– O princípio que estabelece: Enxerte-se o mundo em nossas repúblicas; porém, o tronco tem de ser o de nossas repúblicas.

– As concepções sobre o equilíbrio do mundo, analisadas tanto no individual como no social, assim como em sua dimensão universal.

Estas idéias martianas e muitas outras, mais vistas em sua relação com o melhor do pensamento filosófico universal de todas as épocas, desde a mais remota antiguidade até a atualidade, manifestam uma carga de ciência e utopia, de realidade e sonho por um mundo melhor.

Em Martí, fazem síntese: o imenso saber da modernidade européia; a mais pura tradição ética de raízes cristãs, que em Cuba nunca se situou em antagonismo com as ciências; a influência despreconceituosa das idéias da maçonaria, em seu sentido mais universal e de solidariedade humana; a tradição bolivariana e latino-americana, que Martí enriqueceu com sua vida no México, América Central e Venezuela; e as idéias e sentimentos antiimperialistas surgidos a partir das próprias entranhas do império ianque, onde ele viveu durante mais de quinze anos, mais que um terço de sua vida, e completou ali seu pensamento político, social e filosófico, a partir da óptica dos interesses latino-americanos. Foi, sem dúvida, o analista mais profundo sobre a realidade norte-americana da última metade do século XIX.

Antônio Gramsci afirmou que toda grande filosofia começava por verdades do senso comum. Vejamos a primeira: todo homem precisa comer, vestir-se, ter um teto, antes de fazer filosofia, religião e cultura. Derivemos dela a segunda: não há homem, no sentido universal que nós todos conhecemos, sem a cultura.

Que ensinamento extraem os cubanos hoje, destas idéias e de suas conseqüências ulteriores? A primeira e mais importante lição está em que o déficit principal do que se chamou esquerda nos últimos cem anos foi ter divorciado as lutas sociais e de classes da melhor tradição cultural latino-americana. Isto não sucedeu dessa forma em Cuba. Aqui, durante o século XX, articulou-se o legado patriótico e antiimperialista do século XIX com as idéias socialistas.

José Martí representa o símbolo supremo de dois séculos de história cubana e americana. Uma cultura que, desde sua gestação e nascimento, está dedicada à ação e, portanto, vinculada aos problemas imediatos de nossa atualidade.

Amar e pensar, eis aí a mensagem martiana que devemos assumir frente aos desafios que a humanidade tem diante de si.

Armando Hart Dávalos

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