México – Emiliano Zapata Salazar (1879-1919)

Nasceu em 1879, em Morelos, no seio de uma família camponesa, tendo trabalhado no campo em regime de parceria.

Em 1906, fez parte da Junta de Cuatla – violentamente reprimida pelo governo – em que se reivindicavam para seus trabalhadores as terras comunais dos camponeses indígenas de Morelos. Filho de granjeiro, de pele queimada e grande cavaleiro, dirigiu um movimento de ocupação de terras, formado por granjeiros vestidos com camisa e calças brancas que, ao grito de “terra e liberdade’, entravam nas fazendas defendidas por latifundiários. Após conseguirem sua rendição, eram expropriadas e divididas entre os camponeses que as trabalhavam. Ao destacar-se como líder, viu-se obrigado a refugiar-se na serra durante a repressão. Reaparece em 1909, quando foi proclamado presidente da Junta de Defesa das terras de Ayala, começando assim sua atividade revolucionária.

Em março de 1911, incorpora-se ao movimento guerrilheiro de Madero, apoiando o Plano de San Luís Potosí, contra o ditador Porfírio Diaz. Sua ascendente projeção política o torna responsável pela organização do movimento revolucionário, no sul do México, sendo nomeado primeiro chefe supremo do movimento revolucionário da região meridional e, depois, chefe maderista de Morelos. Com a chegada de Madero ao poder, chocou-se com este devido à lentidão e desatenção para com a reforma agrária, meta da revolução. Assim, em Novembro de 1911 criou o Plano Ayala, programa revolucionário que defendia a devolução das terras aos indígenas e lutava pela implementação de uma verdadeira reforma agrária. Sua defesa da revolução agrária o indispôs com Carranza. O ataque de Victoriano Huerta contra o governo de Madero, logo assassinado, empurra Zapata para se unir às tropas constitucionais, em 1913. Um ano mais tarde, junto com Pancho Villa e Orozco, celebra a Convención Aguascalientes, rechaçada por Carranza, na qual se decide ocupar a capital mexicana pelas forças convencionalistas (1914). As forças das tropas zapatistas são levadas a ocuparem a capital em mais duas ocasiões, controlando a metade do território mexicano. Contudo, o forte contra- ataque do presidente Carranza e a derrota que lhe inflige Álvaro Obregón o forçam a retirar-se para Morelos e instalar seu quartel-general em Tlaltizapan, conservando a implantação do movimento revolucionário no sul do México. Desde sua retirada, enfrentou sempre as ações de Carranza, defendendo a implantação de uma reforma agrária autêntica que eliminasse a desigual repartição da terra e considerasse os direitos indígenas, modelo de reforma implantado por ele próprio em Tlaltizapan. Também nesta cidade criou uma rede de escolas e serviços públicos.

A acusação de Zapata ao seu antigo companheiro revolucionário, Carranza, ele a fez em uma carta aberta de 1919, dirigida ao “ Cidadão Carranza”, em que o acusa de haver “aproveitado a luta em seu próprio benefício e dos amigos que o ajudaram. “Rapidamente, você dividiu o saque, riquezas, negócios, banquetes, festas suntuosas, bacanais, orgias”. E segue: “Nunca lhe ocorreu pensar que a Revolução foi feita para beneficiar as grandes massas, as legiões de oprimidos que você estimulou com palavreados.” Em resposta, Carranza montou um plano para assassinar Zapata: em 1919, Zapata foi convocado para uma entrevista política, em que um oficial federal, Jesús Guajardo, lhe oferecia tropas e apoio à sua campanha, encontrando-o em uma fazenda localizada em território dominado pelo próprio general revolucionário. Segunda narra uma das testemunhas, um dos soldados, ao chegar à entrada, “à queima-roupa, sem lhe darem tempo para sacar seus revólveres, os soldados que apresentavam armas dispararam duas salvas de tiros. Nosso inesquecível general caiu para não se levantar jamais.”

Com Zapata, aos 39 anos de idade, morre o mais firme defensor dos direitos dos índios mexicanos e da reforma agrária. Sua figura se projeta até a atualidade, em que está vigente um movimento reivindicatório dos direitos indígenas, encabeçado pelo conhecido Exército Zapatista de Libertação Nacional, no estado de Chiapas.

Citações importantes de Zapata:

Sobre a revolução social: “Muito ganharíamos, muito ganhariam a humanidade e justiça, se todos os povos da América e todas as nações da velha Europa compreendessem que a causa do México Revolucionário e a causa da Rússia são e representam a causa da humanidade, o interesse supremo de todos os povos oprimidos (…). Aqui, como lá, existem grandes senhores, desumanos, cobiçosos e cruéis que vêm explorando, até à tortura, as grandes massas camponesas. Aqui, como lá, os homens escravizados, os homens de consciência dormida, começam a despertar-se, sacudir-se, agitar-se, a castigar (…). Não é de estranhar que o proletariado mundial aplauda e admire a Revolução Russa, do mesmo modo que outorgará toda a sua adesão, sua simpatia e seu apoio a esta revolução Mexicana, ao dar-se conta de seus fins”.

Sobre a ignorância dos povos: “… a ignorância e o obscurantismo em todos os tempos não produziram mais que rebanhos de escravos para a tirania…”

Sobre a luta dos camponeses: “O camponês tinha fome, vivia na miséria, sofria a exploração e, se se levantou em armas, foi para obter o pão que a ganância do rico lhe negava… Lançou-se à revolta, não para conquistar ilusórios direitos políticos que não dão de comer, mas sim para procurar o pedaço de terra que há de lhe proporcionar alimento e liberdade, uma morada decente e um porvir de independência e em agradecimento.”

Transcendência histórica

O movimento agrário de Morelos não chegou ao fim, devido ao desaparecimento de seu dirigente. Manteve-se em rebeldia até 1920, quando estabeleceu aliança com a facção revolucionária obregonista, que triunfou na rebelião de Água Prieta. Com Zapata, aos 39 anos de idade, morre o mais firme defensor dos direitos dos índios mexicanos e da reforma agrária. Zapata é, hoje, o mártir do agrarismo, o símbolo da redenção social no México. Seus lemas foram: “Terra e Liberdade”, “A terra é de quem trabalha nela”.

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