Golpismo da mídia oligárquica contra a Bolívia

Há um jogo golpista da mídia oligárquica em vários países, nem sempre perceptível para muita gente. Tenta passar a idéia, de maneira sorrateira, de que existe uma “polarização” no processo político da Bolívia, já que não pode evitar a opção do povo boliviano pela mudança: de um lado, o presidente Evo Morales, com os seus quase 70% de aprovação popular; do outro, um grupo de divisionistas, com discurso ideológico de cunho fascista e racista da chamada “Meia Lua”, com o apoio de uma minoria localizada principalmente em Santa Cruz, faz muito tempo, centro do que existe de mais reacionário no país.

Que pretende a mídia dos grupos econômicos com este ardil? Não é outra coisa a não ser tentar deslegitimar um governo que se opõe aos interesses do que ela representa, de quem a financia, querendo dizer que Morales não pode continuar com a sua política de mudanças, por falta de legitimidade, com isso, buscando evitar as medidas de nacionalização de áreas estratégicas, imprescindíveis como instrumentos econômicos para melhorar a situação da maioria do povo, que tem vivido em situação de extrema pobreza.

O golpismo midiático, em relação ao governo boliviano, já não aceita qualquer limite razoável. Confessa, quase explicitamente, que a legitimidade de um governo só deve ser respeitada se ele não for de esquerda, caso contrário é seu dever fazer concessões à direita derrotada, implicitando que qualquer opção popular que contraria os monopólios privados é passível de questionamento, tendo de concordar com os interesses de uns poucos, que, à base do roubo e da exploração, têm sido donos das riquezas geradas pela maioria absoluta da população.

Imagine se esta tal de “polarização” – existente em qualquer país, porque ninguém se elege com a totalidade dos votos do conjunto de votantes – fosse levada às últimas conseqüências pela esquerda, em minoria nas urnas, em países governados pelas forças de direita. Ora, para esta mídia, a “polarização” não seria “polarização”: seria o resultado de um processo democrático legítimo, devendo, portanto, ser respeitado, garantindo os seus propósitos programáticos. A esquerda seria chamada, nesta situação, até mesmo de terrorista, inimiga número um da democracia.

O que a mídia faz em relação a Evo Morales mostra que, em resposta aos seus privilégios reais, concretos, os representantes dos interesses capitalistas, nos dias de hoje, não vão além de uma democracia limitada, de mercado, cujo significado maior é manter a permanente dominação de monopólios privados sobre a totalidade do povo. E que são capazes de recorrer a qualquer meio para manter estes interesses, elegendo a violência como uma questão de princípio. As ações contra o governo, de grupos fascistas em Santa Cruz, são prova disso. Expressam o medo que as oligarquias têm do avanço democrático.

E não se trata apenas de um tipo de violência, a física. Atuam, também, com a violência ideológica, como a pior delas: o racismo.

Na verdade o que polariza, na atualidade, em particular na América Latina, é a luta democrática: as populações, cada vez mais, lutam pelo aprofundamento da democracia, assumindo, sem parar, o seu papel de sujeito das mudanças que lhes são necessárias, desejando decidir sobre o seu próprio destino; e os donos do capital, por seu lado, cada vez mais, conspirando contra o avanço da democracia.

Alberto Souza, Brasil

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