Foro Social Mundial: Outro mundo é possível? Que mundo?

Foro Social Mundial. Uma grande experiência, desenvolvida a partir de 2001. Uma preocupação de milhões de pessoas com intercâmbio de experiências e troca de idéias, às vezes, batalhas das idéias. Um encontro mundial, do qual vale a pena participar.

Contudo, para onde marcha o FSM? Vai ficar repetidamente na abstração de que “outro mundo é possível”?

Na verdade já começaram a surgir inquietações sobre o futuro do Foro Social Mundial. O quadro de crise econômica em que se encontra o mundo hoje impõe passos por melhor definição de propostas que possam aglutinar a maioria absoluta dos seres humanos por mudanças necessárias para a vida da humanidade como um todo. Propostas nada fáceis de serem construídas, já que, em decorrência da queda da União Soviética, equivocadamente vista como referência marxista, cresce o ecletismo no mundo, indo do exótico à retomada de teses de 200 anos atrás, trazendo à baila concepções neo-anarquistas, apartidarismo, ecologismos (salvação da natureza sem a salvação dos seres humanos), a não violência como valor absoluto, independentemente das circunstâncias concretas, advinda da pura vontade espiritual, o pedagogismo, socialismos sem cara, anti-cientificismo, pactismo social, culturalismos, magicismo revolucionário; enfim, mudanças para todos os gostos, menos a mudança dos meios de produção. Em geral, tudo, menos o desenvolvimento de pensamentos amparados na maneira como os seres humanos se relacionam entre si no processo de produção e das relações espirituais a este inerentes, em última instância.

Só uma minoria, nos debates do FSM, desde a existência deste, aceita algum questionamento que signifique tentativa de definição de rumo. Lembro-me de um debatedor, no FSM, realizado em Caracas, que colocou a seguinte questão: “No século XVIII, também a burguesia, principalmente a francesa, dizia que outro mundo é possível. Não tardou, impulsionada pela sua necessidade de classe, definiu que mundo seria esse — o capitalismo. O feudalismo foi derrotado.”

Após essa afirmação o pobre debatedor quase se torna vítima de um anátema geral, se não fossem algumas vozes não discordantes.

Entretanto, não sejamos tão céticos. Pôde-se perceber no FSM de Belém algum avanço: as contradições que se configuram na nossa realidade atual já começam a provocar reboliços em cérebros inquietos. Não foram poucos os que se expressaram assim: já sei que outro mundo é possível, não é a repetição de experiências – diga-se de passagem – mas tal mundo é o socialismo; se não lutamos contra o capitalismo, lutamos contra nós próprios.

Novidade, também importante, ocorrida em Belém foi o aparecimento de propostas no sentido de que se juntem esforços para que a crise mundial do capitalismo não seja descarregada sobre as costas dos trabalhadores, sugerindo-se realizações de atos de protestos em todo o mundo.

Alberto Souza

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