O Estado e as empresas privadas no Brasil

Todas as áreas consideradas estratégicas para a economia, no Brasil, estiveram, sem restrições, à disposição de investimentos privados. As empresas privadas podiam atuar, com toda a liberdade possível, para desenvolver setores como energia elétrica, telefonia, minérios e, inclusive, durante muito tempo, a pesquisa e produção de petróleo. E quais foram os resultados? Na área de hidroelétrica, no início dos anos 60, o país estava à beira do caos, em termos de fornecimento de energia elétrica, ameaçando a atividade industrial de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas. Não fosse a iniciativa da Eletrobrás – estatal criada em 1962, que logo providenciou a construção da Usina de Furnas (MG) – teria ocorrido verdadeiro colapso na economia dessas regiões.

Com a Eletrobrás, o Brasil se tornou um dos maiores produtores de energia elétrica do mundo.

Quanto à telefonia, empresas privadas, espalhadas por todo o país, pouco investiram. O serviço de telefone funcionava muito mal, precariamente. A presença do Estado foi a saída para o problema. Em 1972, é criada a Telebrás que, já na primeira década de sua existência, sai de um total de 1,4 milhões de linhas telefônicas para um total de quase 6 milhões. E chega a 1998, quando é privatizada, com um total de 18,2 milhões de terminais fixos e 4,6 milhões de celulares.

E a Vale do Rio Doce? Bom, antes dela, a produção mineral era muito pequena. Basicamente, estava nas mãos da Itabira Iron, de propriedade do americano Percival Farquhar, sempre envolvida com corrupção e cheia de privilégios dados por governantes. O que essa empresa queria era apoderar-se de amplos territórios repletos de reservas minerais, explorando-as segundo seus critérios particulares. Por isso, para que o país pudesse contar com a matéria-prima para o seu desenvolvimento industrial, Getúlio cria, em 1942, a estatal Vale do Rio Doce, que se tornaria a segunda maior mineradora do mundo, a primeira em minério de ferro, levando sua exportação de minério ao auge quando a demanda de produtos minerais cresceu no Japão e outros países.

Enfim, sem a criação dessas empresas e de outras, como Usiminas, Cosipa, CSN – todas de iniciativa do Estado, da União – o Brasil não chegaria à condição de 10.ª economia do mundo já no início dos anos 90.

Ora, se o capital privado não teve interesse em fazer grandes investimentos nessas áreas, deixando-as praticamente paralisadas, por que passou a se interessar pela posse delas muito tempo depois da sua existência? A resposta é simples: é que tais estatais se tornaram gigantes e muito lucrativas, prontas para quem quisesse tirar proveitos de uma situação em que os interessados não teriam de gastar praticamente nada para se encherem de lucros.

Na realidade, graças a governantes lesa-pátrias, o Estado brasileiro foi levado a construir patrimônios enormes, para que grupos econômicos aumentassem suas fortunas às custas do nosso país. E, como faz qualquer vende-pátria, os entreguistas, a serviço de seus senhores do capital, atacavam a imagem dessas estatais, para facilitar a sua privatização por valores baixíssimos, com moedas podres, com subavaliação, ganhando, com isso, elogio de governos de impérios, como EUA e outros.

Dispensa comentário, por exemplo, a venda, verdadeira doação, da Vale do Rio Doce, por um preço simbólico de 3 bilhões de reais, quando só o minério de ferro com que conta essa empresa tem a duração calculada em mais de 200 anos. O que tem causado uma infinidade de ações para anular esse crime entreguista.

Comitê Bolivariano de São Paulo

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