Chávez e o Golpismo

Buscando manter-se no poder, garantindo o seu direito de explorar as massas trabalhadoras, a burguesia recorre a uma democracia limitada, na prática, exercida somente em períodos eleitorais, com o controle de capitalistas, que, por segurança, financiam os seus candidatos, e desenvolvem a corrupção, atribuindo ao conjunto da população apenas o papel de referendar os representantes de seus interesses no parlamento e no poder executivo. E, quando tal democracia é usada pela classe trabalhadora para organizar-se e debater seus problemas de fundo, a classe dos capitalistas logo conspira contra ela, optando pelo golpismo, trazendo à baila todo o seu ideário fascista. Foi o que aconteceu ao longo do século passado, quando qualquer sinal de avanço democrático era considerado pelos donos do capital como um perigo, devendo, portanto, ser aniquilado através de golpes de estado. A burguesia passou a ficar contra a própria democracia burguesa. Para ela, a democracia tornou-se um perigo, já que o conjunto de explorados em geral tende a aprofundá-la, levando-a à sua transformação, segundo os seus interesses de classe.

Assim, o burguês se torna, cada vez mais, menos democrático, mais fascista, enquanto o explorado avança na sua compreensão de que, no lugar do antidemocratismo, deve estar a democracia plena, possível apenas numa sociedade sem a exploração do homem pelo homem.

Em praticamente todo o século XX, a burguesia, para conspirar contra a democracia e a participação popular no processo político, montou a indústria do anticomunismo, invertendo o sentido do comunismo ou socialismo, apresentando-o como um monstro humanicida, para justificar golpes militares e assassinatos de lideranças políticas que discordassem de seus interesses. Fato que, praticamente, ocorreu em quase todo o mundo, principalmente na América Latina.

Ocorreu o fim da União Soviética. A burguesia diz que o comunismo está morto, que, por conseguinte, é chegado o momento da liberdade absoluta do capital; que, se o capital é um ser de vida sem qualquer restrição, o mundo é livre. O ser humano é livre porque o capital é livre. O nome dado a esse fenômeno é neoliberalismo, em que todas as pessoas são chamadas à competição, mostrando que ter talento é vencer o outro, é dar asas ao individualismo, defendendo a idéia de que todas as conquistas sociais, coletivas, são coisas caducas, devendo ser superadas por conquistas individuais, único caminho para o sucesso. O capitalista não poderia dizer que o indivíduo vitorioso a que se referia é ele próprio. Conseguiu, como nunca, colocar muita gente em verdadeiro transe, crente de que o inferno é o céu.

Contudo, a realidade e a fantasia estão sempre em choque. O neoliberalismo logo mostra que a tentativa de inverter a sua essência, através de mistificações, começava a desvanecer-se, que o aumento da pobreza que ele conseguiu causar, junto às populações em todo o mundo, começa a bombardear falsos encantos. As lutas contra a lógica neoliberal começam a ganhar as ruas e crescem com o protagonismo dos explorados, que logo começam a questionar a própria democracia de mercado a que recorreu a burguesia, amparada na crença de que, com a ausência das lutas pelo socialismo, poderia proteger-se e garantir seus privilégios sem recorrer ao velho golpismo. O primeiro grande resultado deste novo momento das vítimas do poder econômico foi a vitória de Chávez na Venezuela, em 1998, trazendo uma proposta nacionalista que, com o passar dos anos, foi substituída pela proposta de socialismo do século XXI.

As oligarquias venezuelanas, frente à vitória das forças bolivarianas, percebem, de imediato, que através do jogo democrático não seria possível destruir o projeto de mudança que Chávez defendia; que, no momento, só a classe trabalhadora tem a ganhar com a democracia. Ressuscitam a velha receita anticomunista, recorrendo ao terror psico-ideológico, mobilizam setor das forças armadas e partem para o golpe de estado, sendo derrotados pelo povo nas ruas. Mas, não desistem, como era de se esperar: continuam com as suas constantes tentativas de golpe e apresentam Chávez como autêntica expressão do mal, devendo, por isso, ser derrotado. Contam com o apoio de impérios para isso, principalmente do imperialismo americano.

Como a luta de Chávez passou a refletir-se fora da Venezuela, contribuindo para o crescimento da luta antiimperialista na América Latina e para o retorno da própria luta pelo socialismo, o antichavismo virou uma espécie de obsessão dos representantes das oligarquias em nosso continente, apoiando, principalmente por meio de sua mídia, o golpe de estado de Honduras, por achar que tal ação contra o povo hondurenho significa, na verdade, uma derrota de Chávez. Todo golpista é antichavista.

Alberto Souza

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