MANIFESTO DO COMITÊ BOLIVARIANO DE SÃO PAULO

1) INTRODUÇÃO:

A América Latina foi e continua sendo colonizada e espoliada pelos impérios e seus associados locais.  Heróis libertadores, como Simon Bolívar, San Martín, José Martí e outros, em históricas lutas pela independência dos impérios ibéricos – lusitano e espanhol – , queriam fazer da nossa Indoamérica uma pátria grande, próspera, justa e soberana.

As oligarquias, os latifundiários, os escravistas e racistas de qualquer ordem, lacaios e servidores dos interesses imperiais, não deixaram que os objetivos dessas lutas heroicas de independência pela soberania e pela grandeza de uma América unida, livre, irmã e solidária, pudessem converter-se num território com progresso econômico, justiça social e qualidade de vida humana.

Primeiro, usurparam nossas riquezas naturais, minérios preciosos, madeira, fauna e dignidade humana, com trabalho escravo velado ou desvelado.  Seguiram-se saques de outras riquezas e a exploração da mão-de-obra pseudamente protegida.  Sofremos diversas e contínuas invasões, colonizações econômicas e culturais.  Roubaram e continuam roubando nossa dignidade e nosso futuro.  A desigualdade social, a pobreza e a submissão disfarçada de democracia dominada pelos interesses econômicos anti-sociais e servis ao grande imperialismo dos Estados Unidos, fazem da nossa América Latina um continente cada vez mais pobre, doente, faminto e sem uma educação adequada, que lhe permita compreender sua realidade e as necessidades que se lhe impõem, para fazer parte do destino da humanidade. 

Qual é o papel que toca a nós, que vemos aperfeiçoarem-se a cada dia a exclusão social, a injustiça, o roubo contínuo das nossas riquezas, dos nossos recursos naturais, da nossa inteligência, da nossa dignidade e do nosso futuro, incerto e ameaçado?

O que vemos hoje neste mundo dominado pelos interesses que mantêm impérios estatais e privados?  Genocídios sistemáticos de populações indefesas; bloqueios econômicos e territoriais como política de extermínio da vida e da sustentabilidade; barreiras econômicas e acordos para frearem ou moldarem o desenvolvimento e baratearem os preços de produtos convenientes aos interesses imperiais; a criação de desemprego para promover subempregos e, assim, baratear a mão-de-obra; a imposição de sistemas de produção de artigos e alimentos destinados à exportação; a privatização de bens e serviços públicos de baixo custo e de alto lucro; o desmonte da governança; a promoção de sistemas educacionais privados seletivos, para se obter, com salários baixos, mão-de-obra em melhores condições; e a promoção e o financiamento de culturas alienantes, para destruir as culturas autóctones e locais.

Hoje, mais do que nunca, os povos de toda a nossa Indoamérica precisam se organizar, aglutinando-se numa luta unida contra o imperialismo dos Estados Unidos, contra seus sócios internacionais, formados por governos e interesses organizados e, também, contra seus lacaios locais.

O nosso caminho não deve ser outro senão os princípios de Simon Bolívar, entre os quais o de fazermos uma Pátria Grande, entre povos irmãos, e propormos uma alternativa econômica, mediante a adesão e o compromisso dos países latino-americanos, que permitam intercâmbios comerciais, tecnológicos, científicos, educacionais e culturais, com ênfase na igualdade, justiça e desenvolvimento social.  E, assim, podermos construir um caminho de lutas e conquistas para alcançarmos a independência real e total dos nossos povos, unidos num destino comum e soberano.

2) CARTA DE FUNDAÇÃO

Ao nosso ver, os movimentos sociais da América Latina e do Caribe devem unir-se na luta por uma nova sociedade, combatendo a todas as oligarquias e o imperialismo.  Não há outro caminho para a libertação dos nossos povos, contribuindo, em consequência, com as lutas de todos os povos do Planeta por um mundo sem impérios, fundamentado nos valores da plena solidariedade humana.

Foi esta visão que nos levou a fundar o Comitê Bolivariano de São Paulo, inspirando-nos nos ideais daqueles que estiveram à frente das batalhas independentistas e revolucionárias de nossa América, como Bolívar, José Martí, Guevara e outros, que tanto defendiam a construção de relações sociais justas e igualitárias para nossa gente.  O Comitê Bolivariano nasce num contexto todo especial, em que as lutas antiimperialistas e as lutas pelo socialismo se justapõem, andam juntas, devido ao estágio monopolista a que chegou o capitalismo no mundo.  Fato que explica por que Chávez avançou de uma posição nacionalista para a defesa do socialismo – que ele chama de Socialismo do Século XXI – com reflexos nítidos na sua maneira de ver as formas de organização da população, seja nas lutas por conquistas imediatas, seja nas lutas políticas.

São grandes os desafios do Comitê Bolivariano de São Paulo, primando, principalmente, pela realização de cinco tarefas fundamentais:

a) desenvolver estudos sobre as lutas revolucionárias da América Latina e do Caribe, resgatando momentos de grandeza e, até mesmo heroicos, das lutas de nossos povos na busca de um mundo livre e justo;

b) contribuir com as lutas concretas das massas, defendendo sua unidade e organização, fundamentado na defesa da democracia participativa e protagonista do povo;

c) contribuir para a união de todas as forças antiimperialistas, socialistas e revolucionárias, num processo claro de integração latino-americana e caribenha regido pelas forças sociais que, de fato, necessitam de uma América livre e igualitária;

d) desenvolver atividades de solidariedade com os povos vítimas de agressões imperialistas;

e) combater todas as propostas imperialistas de dominação dos povos latino-americanos e caribenhos, como a ALCA e outras, na defesa da ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas).

Comitê Bolivariano de São Paulo

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